Um momento histórico para o futebol africano, que passou quase despercebido no Brasil, agitou o último sábado. A vitória de Gana sobre o Panamá por 2 a 1, com um gol heroico de Jordan Ayew aos 50 minutos do segundo tempo, transcendeu o caráter amistoso do jogo. Este triunfo simbólico e estatístico levou as Black Stars a seis vitórias em edições de Copa do Mundo, igualando a marca da arquirrival Nigéria. Para o torcedor brasileiro, acostumado a ver a Seleção como grande favorita contra seleções africanas, o feito de Gana acende um importante alerta tático e histórico.
Tradicionalmente vista como a potência máxima do continente em Mundiais, a Nigéria agora divide esse posto. Gana, segundo dados do portal Terra, consolida-se no mesmo patamar, com ambas as seleções africanas somando seis triunfos em Copas do Mundo. Senegal, com cinco, e Camarões, com quatro, completam o topo da lista. Mas o que essa ascensão ganense significa para a Seleção Brasileira, que enfrentou Gana em Copas de 2006 e 2022 e testemunhou o crescimento do adversário?
O que a ascensão de Gana revela sobre o futebol africano
Essa marca de seis vitórias não é mera coincidência. Gana construiu sua trajetória em Mundiais com campanhas sólidas, culminando nas quartas de final em 2010, quando a semifinal escapou por um pênalti perdido por Asamoah Gyan contra o Uruguai. O desempenho da equipe de Otto Addo (técnico na última Copa) e, mais recentemente, a vitória sobre o Panamá, mesmo em amistoso, sinalizam que o futebol africano não se sustenta mais apenas em lampejos individuais. A ênfase na consistência tática, característica que o atual técnico Chris Hughton busca implementar, é evidente.
Para a Seleção Brasileira, esse dado serve como um termômetro. Embora o Brasil tenha vencido Gana por 3 a 0 em setembro de 2022, em Le Havre, com gols de Marquinhos, Richarlison e Raphinha, o placar elástico não escondeu a força física e a organização tática ganense. A igualdade histórica com a Nigéria agora sela uma mudança no equilíbrio de forças do futebol africano. A Nigéria, que por décadas dominou com talentos como Jay-Jay Okocha e Nwankwo Kanu, vê Gana emergir não só como rival regional, mas como um forte concorrente pela hegemonia continental.
Por que isso importa para a Seleção Brasileira e o calendário
O Brasil enfrentará Gana novamente? A probabilidade é alta e o reencontro pode ser mais próximo do que se pensa. Com a Copa do Mundo de 2026 se aproximando, a CBF já articula amistosos de alto nível para a preparação. Gana, ao se consolidar como uma seleção africana de ponta, torna-se um adversário valioso para testar a equipe brasileira contra atletas rápidos e de grande poder físico, como Mohammed Kudus (Ajax) e Iñaki Williams (Athletic Bilbao).
O impacto prático para o Brasil é evidente: Gana não pode mais ser vista como um adversário menor. Em 2022, apesar da vitória, a Seleção Brasileira enfrentou dificuldades para conter os perigosos contra-ataques ganenses. Com a notável evolução tática das Black Stars, qualquer confronto futuro demandará um planejamento específico e detalhado. Mais do que isso, as seis vitórias em Copas posicionam Gana em um seleto grupo, ao lado de potências como Bélgica e Portugal no número de triunfos em Mundiais, servindo como um claro lembrete de que o futebol global está cada vez mais nivelado.
A corrida pela hegemonia africana está apenas começando
O que os próximos anos reservam? Gana dificilmente se contentará com seis vitórias. Impulsionada por uma geração talentosa, com nomes como Kudus e Thomas Partey (Arsenal), as Black Stars têm um potencial significativo para superar a Nigéria e firmar-se como a maior vencedora africana em Copas. Para o Brasil, isso pode significar que um futuro “clássico” intercontinental contra Gana se torne um dos jogos mais aguardados do calendário internacional.
A Nigéria, por sua vez, certamente reagirá. Com estrelas como Victor Osimhen (Napoli) e Samuel Chukwueze (Milan), as Super Águias lutarão para retomar a liderança histórica. Assim, o já intenso duelo entre essas duas potências africanas ganha ainda mais peso. O Brasil, como o maior vencedor de Copas, observa atento. Afinal, enfrentar uma Gana ou Nigéria em 2026 não será meramente um teste de reservas, mas um verdadeiro teste de fogo para qualquer aspirante ao título mundial.