Torcedor haitiano assistindo a uma partida entre Haiti e Brasil na Copa do Mundo
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Torcedor haitiano vive sonho de ver Haiti e Brasil juntos em Copa do Mundo

Aos 68 anos, Arnold Lamy, um haitiano de Porto Príncipe, realiza um sonho que parecia inatingível na infância. Fã incondicional da Seleção Brasileira desde a era de Pelé, ele jamais imaginou que testemunharia não apenas a participação do Haiti em uma Copa do Mundo, mas também o confronto entre suas duas paixões futebolísticas no Catar. Atualmente, Lamy acompanha com grande emoção a trajetória da Seleção Brasileira, comandada por Dorival Júnior, e celebra a estreia histórica do Haiti em Copas, que o colocou frente a frente com o Brasil na fase de grupos.

A admiração de Lamy pelo futebol brasileiro remonta aos tempos de ouro, com os gols de Garrincha e a genialidade de Pelé. Mesmo residindo em um país caribenho sem uma forte tradição futebolística, a paixão pela Canarinho floresceu, alimentada por transmissões de rádio e recortes de jornais. Um marco nessa jornada foi em 1974, quando o Haiti conquistou sua inédita vaga para a Copa do Mundo na Alemanha Ocidental. O destino, por ironia e emoção, colocou as duas nações no mesmo grupo, forçando Lamy a vivenciar um dilema afetivo singular.

“Eu era um menino, e meu pai me levava para assistir aos jogos no gramado. Mas quando o Haiti se classificou, foi uma explosão. O Haiti contra o Brasil era como meu pai contra minha mãe. Eu torcia pelos dois”, relata Lamy, demonstrando a complexidade de seus sentimentos naquela época. Essa dualidade afetiva se repetiu em 2022, quando o Haiti, após um longo período, voltou a participar da Copa do Mundo, novamente no mesmo grupo do Brasil.

Apesar de não ter vivenciado a Copa de 1974 presencialmente, Lamy preserva a memória afetiva. “Aquela Copa de 74 foi inesquecível. Naquela época, os jornais vinham com fotos em preto e branco, e a gente lia e ficava imaginando. Hoje é diferente, as transmissões são em cores, você vê tudo de perto”, compara. Sua conexão com o Brasil é tão profunda que ele mantém um álbum repleto de recortes de jornais e revistas que contam a história do futebol brasileiro, desde os seus ídolos de infância até os craques atuais.

A campanha do Brasil no Catar é acompanhada por Lamy com a mesma devoção de sempre. O torcedor haitiano, que já se considera um cidadão do mundo com o futebol como elo, expressa sua esperança de que a Seleção Brasileira conquiste o hexacampeonato. No entanto, sua alegria é igualmente dividida com a conquista do Haiti de ter alcançado o palco máximo do futebol mundial. “O mais importante é que o Haiti está aqui. Ver a nossa bandeira, ouvir o nosso hino nacional em uma Copa do Mundo, é algo que me enche de orgulho e me emociona profundamente”, confessa.

Lamy acredita que a participação do Haiti na Copa do Mundo é um passo importante para o desenvolvimento do esporte no país. “É uma inspiração para as futuras gerações de jogadores haitianos. Espero que possamos inspirar muitos meninos e meninas a seguir seus sonhos e a acreditar que tudo é possível com dedicação e trabalho duro”, declara. Ele sonha com um futuro em que o futebol haitiano possa competir em igualdade de condições com as grandes potências do esporte.

Para Arnold Lamy, cada jogo é uma celebração, uma oportunidade de unir suas duas paixões em um espetáculo único. A Copa do Mundo, para ele, transcende a competição; é a concretização de um sonho, um testemunho do poder do futebol em conectar pessoas e culturas, e um motivo para celebrar a vida e as suas mais profundas afeições.

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