A última rodada da fase de grupos da Copa do Mundo promete emoção, mas a Rede Globo ficará à margem de decisões cruciais. A emissora não exibirá partidas dos Grupos B, que verá Suíça e Canadá disputando a liderança, nem do Grupo E, onde Sérvia e Camarões brigam por uma vaga nas oitavas de final. Um cenário incomum para a maior detentora de direitos do torneio no Brasil.
Conforme apurado pelo portal Trivela, a grade da Globo para esta quarta-feira (26) e quinta-feira (27) priorizou outros confrontos, deixando de lado justamente os grupos com potenciais definições emocionantes. SporTV e Globoplay serão os responsáveis por essas transmissões. No entanto, a ausência no sinal aberto limita drasticamente o alcance popular do evento em momentos de alta tensão.
A decisão da Globo revela uma estratégia comercial pautada pela priorização de jogos com maior apelo de audiência. Contudo, essa escolha pode frustrar torcedores ansiosos por ver em campo craques como Jonathan David (Canadá) ou Xherdan Shaqiri (Suíça). A ausência da emissora em dois grupos inteiros na rodada final configura um movimento ousado, gerando questionamentos sobre o futuro de sua cobertura em Copas.
Por que a Globo abriu mão de dois grupos decisivos
A lógica por trás da escolha da Globo é essencialmente comercial, visando maximizar a audiência. A emissora optou por transmitir jogos de grupos com seleções de maior apelo popular no Brasil, como Brasil, Argentina e Portugal, que naturalmente possuem um apelo superior junto ao grande público. Grupos como o B (Suíça e Canadá) e o E (Sérvia e Camarões) carecem do mesmo potencial de audiência para a TV aberta.
No entanto, essa decisão desconsidera o histórico de grandes reviravoltas na última rodada da fase de grupos. Em 2022, por exemplo, a Alemanha foi eliminada em partidas fora do horário nobre da TV aberta. Ao abrir mão desses confrontos, a Globo perde a chance de capturar momentos históricos que geram alto engajamento nas redes sociais e reforçam sua imagem como “a casa do futebol mundial”.
A concorrência com plataformas de streaming é outro fator relevante. A CazéTV, por exemplo, já anunciou a transmissão de todos os jogos da Copa ao vivo pelo YouTube, incluindo os não exibidos pela Globo. Isso oferece ao torcedor brasileiro alternativas gratuitas, mas a fragmentação da audiência pode diluir a narrativa unificada que a TV aberta tradicionalmente proporciona.
O que muda para o torcedor brasileiro na reta final da fase de grupos
Para o torcedor sem acesso a canais fechados ou internet de qualidade, a ausência da Globo é palpável. Quem depende exclusivamente da TV aberta para acompanhar a Copa do Mundo não verá, por exemplo, a definição do Grupo B, onde Suíça e Canadá brigam pela liderança. É um cenário que pode deixar muitos brasileiros sem compreender as classificações finais das chaves.
Além disso, a ausência da Globo nesses jogos afeta diretamente a cobertura jornalística. A emissora, habitualmente, envia equipes de reportagem aos estádios e produz conteúdo exclusivo sobre as seleções. Sem a transmissão, a tendência é que a cobertura desses grupos seja limitada a flashes e material de agências, empobrecendo a experiência do telespectador que busca análises aprofundadas.
Por outro lado, o torcedor mais engajado pode recorrer ao SporTV ou ao Globoplay, que serão as plataformas a exibir as partidas. Contudo, a diferença de alcance é abissal: enquanto a TV aberta chega a milhões de lares, os canais pagos possuem uma base de assinantes significativamente menor. Isso cria uma desigualdade no acesso à informação esportiva que vai de encontro ao discurso de democratização do futebol.
A corrida pela audiência na Copa do Mundo está apenas começando
A decisão da Globo de abrir mão de dois grupos na última rodada sugere uma reavaliação da estratégia da emissora para grandes eventos. Com a ascensão de plataformas digitais e a dispersão da audiência, a TV aberta deixou de ser o único canal de massa. A tendência é que, em futuras Copas, a Globo seja ainda mais seletiva na escolha dos jogos a transmitir.
Para o mercado publicitário, o recado é claro: a Copa do Mundo não é mais um evento monolítico. Marcas que desejam alcançar o torcedor deverão diversificar seus investimentos entre TV aberta, canais fechados e streaming. Ao perder a exclusividade de certos jogos, a Globo abre espaço para concorrentes como a CazéTV e a Amazon Prime Video, que já demonstram interesse nos direitos de transmissão para 2026.
O torcedor brasileiro, por sua vez, terá que se adaptar a um cenário onde acompanhar a Copa exige múltiplos serviços. Essa fragmentação, embora benéfica para a concorrência, torna-se um obstáculo para a simplicidade desejada pelo público. Resta saber se a Globo irá rever sua postura ou se este é o novo paradigma para o futebol na televisão brasileira.