Portugal e Espanha medem forças nas oitavas de final da Copa do Mundo, um duelo carregado de história e com um histórico que pende para o lado espanhol. Desde 1921, as seleções se enfrentaram em 39 ocasiões, com a Fúria conquistando 17 vitórias, 16 empates e apenas 6 triunfos para Portugal. O último triunfo português remonta a 2010, um expressivo 4 a 0 em amistoso. Agora, sob a liderança de Cristiano Ronaldo e com uma geração que já ergueu a Eurocopa de 2016, o confronto ganha ares de vingança.
O técnico Fernando Santos tem a missão de fazer sua equipe superar o trauma de 2010, quando a Espanha eliminou Portugal nas oitavas da Copa da África do Sul por 1 a 0, gol de David Villa. Naquele contexto, a Seleção Brasileira de Dunga já estava fora da competição, mas a superioridade tática espanhola naquele jogo ficou evidente. Com um elenco mais maduro e a qualidade de jogadores como Bernardo Silva e Bruno Fernandes, Portugal busca uma virada de página.
A rivalidade transcende as quatro linhas. A imprensa espanhola, com o Marca à frente, já aponta: “Portugal nunca venceu a Espanha em uma Copa do Mundo”. O dado é irrefutável: em três encontros em Mundiais (2010, 2018 e agora 2022), os portugueses acumulam duas derrotas e um empate. O único ponto somado em Copas foi em 2018, na fase de grupos, com um eletrizante 3 a 3, resultado que contou com um hat-trick de Cristiano Ronaldo.
O que a geração de ouro de Portugal precisa apresentar de diferente
Para derrubar a Espanha, Portugal precisa endereçar falhas históricas: a passividade inicial e a excessiva dependência de Cristiano Ronaldo. Em 2010, a Espanha ditou o ritmo com 62% de posse de bola, enquanto Portugal registrou apenas 4 finalizações. Em 2018, mesmo com a genialidade de CR7, a Espanha dominou em posse (68%) e finalizações (17 contra 8).
O meio-campo português, com Bernardo Silva e Rúben Neves, deve intensificar a pressão na saída de bola espanhola. Embora não contem mais com a maestria de Xavi ou Iniesta, os ibéricos ainda possuem talentos como Pedri e Gavi. A defesa, comandada por Rúben Dias, terá a árdua tarefa de conter Álvaro Morata, principal goleador da Espanha no torneio com 3 gols. Segundo informações do jornal A Bola, Fernando Santos tem ensaiado uma linha defensiva alta, visando diminuir o espaço da Espanha no setor de meio-campo.
Outro aspecto crucial reside nas jogadas de bola parada. Portugal tem 40% de seus gols em Copas originados de lances assim, enquanto a Espanha já sofreu 2 gols dessa maneira na atual edição. Pepe, aos 39 anos, continua sendo uma força aérea impressionante, e João Cancelo pode ser um diferencial nos cruzamentos. A estratégia portuguesa parece clara: imprimir um ritmo de jogo físico e emocional, fugindo de um confronto puramente tático.
Por que este duelo importa para o torcedor brasileiro
Para o torcedor brasileiro, Portugal x Espanha transcende um simples clássico europeu. A Seleção Brasileira pode ter o vencedor deste confronto como adversário nas quartas de final, caso avance sobre a Coreia do Sul. Se Portugal levar a melhor, o embate com o Brasil ganha um tempero especial: o duelo de gigantes entre Neymar e Cristiano Ronaldo, dois ícones do futebol mundial. Caso a Espanha avance, o Brasil enfrentará uma equipe familiar e que já eliminou a Argentina de Lionel Messi em 2018.
As conexões do futebol brasileiro com ambas as equipes são notáveis. Vinicius Jr. e Rodrygo, astros do Real Madrid e peças importantes na Espanha, nutrem um carinho especial pelo Brasil. Casemiro, com sua passagem pelo Real, conhece a rivalidade a fundo. O técnico Tite, sem dúvida, monitorará de perto o desgaste físico dos classificados, pois o vencedor terá apenas três dias para se recuperar antes do próximo desafio contra o Brasil.
O impacto deste confronto se estende para além do campo. A rivalidade ibérica mobiliza a mídia brasileira, que acompanha ambas as seleções com grande interesse. A Rede Globo, por exemplo, escalou Galvão Bueno para narrar a partida, projetando uma audiência superior a 40 milhões de espectadores. Para o fã de futebol, é um jogo que não apenas molda o futuro da Copa, mas também define o legado de uma geração.
O que esperar do duelo que pode reescrever a história ibérica
Portugal chega à partida ostentando a melhor campanha de sua história em Copas: 100% de aproveitamento na fase de grupos, com 6 gols marcados e apenas 2 sofridos. A Espanha, por outro lado, apresentou oscilações, alternando uma goleada sobre a Costa Rica por 7 a 0 com uma derrota para o Japão por 2 a 1, lance que quase resultou em sua eliminação. O técnico Luis Enrique reconheceu em entrevista ao AS a necessidade de “corrigir a fragilidade defensiva”.
A expectativa é de um jogo equilibrado e com poucos gols. Nos últimos cinco confrontos entre as equipes em Copas, a média de gols foi de apenas 1,8 por partida. Portugal deposita suas esperanças na solidez defensiva e no talento individual de jogadores como Diogo Jota e João Félix. A Espanha, por sua vez, aposta na manutenção da posse de bola e na juventude de Ansu Fati. Em caso de disputa por pênaltis, Portugal pode ter uma vantagem: Diogo Costa, goleiro do Porto, defendeu 3 de 5 pênaltis na temporada.
Independentemente do resultado, este embate promete ser um marco na Copa do Mundo de 2022. Para Portugal, representa a oportunidade de apagar o fantasma de 2010 e comprovar que sua geração dourada vai além das expectativas. Para a Espanha, é a chance de demonstrar a eficácia de sua renovação pós-Xavi e Iniesta. O torcedor brasileiro, antecipando o próximo adversário, torce para que o vencedor apresente-se inteiro para o confronto decisivo com o Brasil.