Paulo Fábio ostenta um tesouro de 12 álbuns da Copa do Mundo, que narram quase meio século de paixão pelo esporte. Sua jornada de colecionismo começou em 1978, quando seu pai, Paulo Simões, um ex-lateral-direito, presenteou-o com o primeiro álbum de figurinhas. Desde então, a cada edição do Mundial, Paulo Fábio, natural do Piauí, adiciona um novo capítulo à sua coleção, transformando um simples presente em um arquivo afetivo que atravessa gerações. Este acervo particular é hoje um dos mais significativos registros de Copas do Mundo no Brasil.
Mais do que um mero passatempo, o álbum de figurinhas funciona como uma cápsula do tempo para torcedores como Paulo Fábio. Cada página é um portal para o passado, revelando escalações memoráveis, uniformes icônicos, craques inesquecíveis e até mesmo o contexto geopolítico de cada edição. A Argentina de Mario Kempes em 1978, a Itália de Paolo Rossi em 1982, o Brasil de Romário em 1994 – todas essas memórias estão ali, preservadas em forma de figurinhas. Guardar um álbum por décadas é um ato de resistência contra a efemeridade do futebol moderno.
O acervo de Paulo Fábio: um retrato da cultura das Copas
A coleção de Paulo Fábio transcende os álbuns oficiais da Panini. Ele também resguarda recortes de jornais da época, muitos herdados de seu pai, que já cultivava o hábito de colecionar notícias de futebol desde os anos 1960 e 1970. Essa junção de materiais transforma o acervo em um documento histórico valioso. É possível observar a cobertura da imprensa brasileira a cada Copa, identificar quais jogadores eram elevados ao status de heróis e quais seleções despontavam como favoritas antes mesmo do apito inicial.
A evolução gráfica dos álbuns é outro aspecto marcante. As edições mais antigas apresentam ilustrações mais simples, fotos com granulação visível e equipes que hoje parecem anacrônicas, como a Alemanha Ocidental de 1978 ou a União Soviética de 1982. Em contraste, os álbuns recentes, como o do Mundial de 2022 no Catar, exibem um design moderno, efeitos holográficos e figurinhas raras em edição limitada. Essa transformação visual espelha a própria metamorfose do futebol em um produto global de entretenimento.
Paulo Fábio também enxerga no colecionismo de figurinhas a formação de uma comunidade silenciosa. Durante os meses que antecedem a Copa, crianças e adultos em todo o Brasil se reúnem em trocas de figurinhas repetidas, em busca daquela peça que falta para completar a coleção. O álbum se torna um ritual social que conecta gerações. O acervo do colecionador piauiense comprova que essa tradição resiste há quase cinco décadas, mantendo sua força e encanto.
A relevância do álbum para o torcedor brasileiro
Para aqueles que viveram a experiência de colar figurinhas em casa ou na escola, a história de Paulo Fábio é um espelho. O álbum da Copa é um dos poucos objetos físicos que ainda conseguem mobilizar o brasileiro em escala nacional, em uma era onde tudo, do placar aos ingressos, migrou para o digital. Possuir um acervo de 12 Mundiais significa que Paulo Fábio testemunhou a transição do futebol em papel para o futebol em pixels, sem jamais abandonar o formato original.
Além do inestimável valor afetivo, o acervo possui relevância concreta. Instituições como o Museu do Futebol em São Paulo frequentemente buscam colecionadores particulares para enriquecer exposições temporárias. O acervo de Paulo Fábio, por exemplo, poderia ilustrar uma mostra sobre a evolução dos uniformes ou sobre a participação brasileira nas Copas. É inegável que ele guarda um patrimônio cultural de grande interesse para pesquisadores, jornalistas e torcedores.
Adicionalmente, o mercado de figurinhas raras movimenta cifras consideráveis. Uma figurinha original de 1978 em bom estado pode alcançar centenas de reais em plataformas de leilão. Um álbum completo da Copa de 1986, com todas as figurinhas coladas e em perfeito estado, já foi comercializado por mais de R$ 1.500 em sites como Shopee e Mercado Livre. Assim, o acervo de Paulo Fábio não é apenas memória, mas também um investimento que se valoriza a cada novo ciclo de Copa.
O futuro do colecionismo de álbuns da Copa
A Copa do Mundo de 2026, que terá sedes nos Estados Unidos, Canadá e México, promete ser um divisor de águas para os colecionadores. Pela primeira vez, o álbum oficial contará com 48 seleções, o que se traduzirá em mais páginas, mais figurinhas e, consequentemente, um desafio ainda maior para completar a coleção. A Panini já anunciou que a edição de 2026 apresentará um número recorde de cromos, incluindo cards especiais dos estádios e dos mascotes de cada país anfitrião.
Para Paulo Fábio, o álbum de 2026 marcará o 13º exemplar de sua coleção. Ele já reservou espaço em sua estante e pretende manter o ritual que o acompanha desde o início: adquirir o álbum no primeiro dia de vendas, abrir os pacotes com tranquilidade e participar das trocas de figurinhas com outros colecionadores. A tradição, iniciada com um presente do pai em 1978, permanece viva e demonstra que, no universo do futebol, certas coisas jamais mudam. O álbum de figurinhas continua sendo o primeiro gol de cada Copa.