quinta-feira, 17 de setembro
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Estádio de futebol com bandeiras de 64 seleções nacionais, cores vibrantes e público animado.
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Copa do Mundo com 64 seleções: o plano de Infantino para revolucionar o futebol

Mesmo antes da bola rolar na Copa do Mundo de 2026, Gianni Infantino já projeta o próximo passo. Em entrevista à agência AFP, o presidente da FIFA sinalizou que o formato com 48 seleções, a ser estreado nos Estados Unidos, México e Canadá, pode ser apenas uma transição. A declaração abre caminho para uma ambição ainda maior: uma Copa do Mundo com 64 equipes.

A proposta, segundo Infantino, será “estudada e analisada” após a edição de 2026. O argumento central baseia-se na projeção de sucesso da expansão de 32 para 48 seleções, anunciada em 2017. A FIFA projeta que a mudança impulsionará receitas e ampliará o alcance global do torneio, com mais mercados e maior audiência. Contudo, surgem questionamentos sobre o impacto dessa diluição na competitividade, no calendário e, especificamente, no futebol brasileiro.

A ideia de expandir o Mundial é uma marca da gestão de Infantino, que desde 2016 defende um modelo mais inclusivo. A Copa de 2026 adotará um formato inédito com 48 seleções em 12 grupos de quatro, com os 32 melhores avançando para o mata-mata. A implementação de um torneio com 64 seleções dobraria o número de participantes do formato que vigorou de 1998 a 2022, alterando drasticamente a estrutura da competição.

O impacto da expansão para 64 seleções no calendário do futebol

A adoção de 64 seleções elevaria o número de partidas para 128, contra as 104 da edição de 2026. Essa mudança exigiria uma competição com duração mínima de 40 dias, pressionando ainda mais os calendários de clubes e ligas nacionais. Competições como a Premier League, La Liga e o Brasileirão teriam que ceder seus atletas por períodos mais longos, intensificando os atritos entre federações nacionais, confederações e associações de clubes.

Para o futebol brasileiro, o cenário é ainda mais complexo. A Seleção Brasileira, comandada por Dorival Júnior, já enfrenta desafios para conciliar amistosos, Eliminatórias e Copa América com o calendário doméstico. Com 64 seleções, a fase de grupos seria ampliada para 16 chaves, aumentando a probabilidade de confrontos contra adversários de menor expressão técnica. Essa dinâmica ameaça diluir a qualidade média dos jogos e desvalorizar a Copa como a vitrine do futebol de elite.

A FIFA celebrou a média de 2,69 gols por jogo na Copa de 2022, a maior desde 1958. No entanto, a inclusão de seleções de ranking muito baixo em um formato com 64 equipes eleva o risco de uma primeira fase com goleadas previsíveis. Tal cenário contrasta diretamente com a emoção de jogos equilibrados e históricos, como a final entre Argentina e França no Catar.

A proposta de Infantino e suas ramificações para o futebol brasileiro

O Brasil, pentacampeão mundial, veria a CONMEBOL ter sua cota de vagas ampliada. Atualmente, a confederação sul-americana tem 6,5 vagas (para 10 filiados) no formato de 48 times. Com a expansão para 64, esse número poderia saltar para 8 ou 9, tornando a classificação quase uma formalidade para a maioria das seleções do continente, incluindo as que hoje lutam por uma vaga, como Venezuela e Bolívia.

Embora a classificação facilitada pareça uma vantagem, o efeito colateral seria a perda de competitividade das Eliminatórias Sul-Americanas, consideradas por muitos as mais difíceis do mundo. Se a vaga se tornar praticamente garantida, o torneio classificatório perde relevância, arriscando criar uma Seleção Brasileira menos testada para o Mundial. Adicionalmente, clubes como Flamengo, Palmeiras e Corinthians seriam forçados a liberar seus principais jogadores por períodos ainda mais extensos, afetando o Brasileirão e a Copa do Brasil.

A logística é outro ponto crítico. Uma Copa do Mundo com 64 seleções exigiria, no mínimo, 16 estádios de alto padrão, uma infraestrutura que poucos países possuem. A candidatura tripla de 2026 já é um desafio logístico. Para a edição de 2030, sediada por Marrocos, Portugal e Espanha, um aumento de participantes elevaria a complexidade. O risco é a FIFA priorizar apenas sedes com capacidade financeira massiva, excluindo nações em desenvolvimento.

O futuro da Copa do Mundo: entre o espetáculo e os interesses comerciais

Gianni Infantino sabe que a expansão é uma via de mão dupla. Por um lado, mais seleções significam mais contratos de transmissão e patrocínios. A FIFA faturou US$ 7,5 bilhões no ciclo da Copa de 2022 e projeta superar US$ 11 bilhões em 2026. Analistas consultados pelo The Guardian estimam que uma Copa com 64 equipes poderia gerar até US$ 15 bilhões.

Por outro lado, a qualidade técnica do torneio corre sério risco de declínio. A Copa de 2026 já terá um aumento de seleções com menor tradição no torneio, e com 64 participantes, a disparidade entre as potências e os estreantes seria ainda mais acentuada. Para o torcedor brasileiro, acostumado a finais históricas, a perspectiva de ver a Seleção enfrentar adversários de ranking expressivamente inferior na fase de grupos pode ser vista como um enfraquecimento da mística da competição.

A decisão final sobre o formato da Copa do Mundo deve ser tomada após o torneio de 2026. No entanto, a mensagem de Infantino é clara: a FIFA buscará a expansão enquanto houver potencial de crescimento financeiro. A questão que permanece é se o futebol, como esporte, conseguirá sustentar esse crescimento sem comprometer a essência que o consagrou como o maior espetáculo do planeta.

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