quinta-feira, 17 de setembro
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A Tentativa Fracassada da Inglaterra de Dominar Messi no Último Minuto

Thomas Tuchel dedicou atenção minuciosa aos detalhes para o confronto entre Inglaterra e Argentina, mas Lionel Messi, com um lampejo no último minuto, desfez a estratégia meticulosa. Por 60 minutos, a Inglaterra conseguiu neutralizar o craque argentino de forma impressionante. Messi, figura central para a Argentina, mal tocou na bola em zonas de perigo, registrando uma única posse na área central, rapidamente controlada por Elliot Anderson, logo após Anthony Gordon ter aberto o placar para os ingleses. As estatísticas do jogo pintavam um retrato de um Messi periférico, distante das áreas cruciais, com passes interceptados e finalizações bloqueadas. Contudo, um movimento sutil, quase imperceptível, alterou o curso da partida.

O que parecia uma demonstração de superioridade tática de Tuchel sobre Lionel Scaloni desmoronou em instantes. A Argentina, mesmo com um Messi estatisticamente apagado durante três quartos do confronto, encontrou no talento individual a força que a organização inglesa não conseguiu conter. O gol nos acréscimos não foi um mero acaso, mas o resultado de uma leitura de jogo profunda que a Inglaterra não previu.

Para o torcedor brasileiro, familiarizado com as batalhas contra Messi em clássicos contra a Seleção Brasileira, a atuação do argentino diante da Inglaterra corrobora um ditado antigo: controlar Messi por 90 minutos é uma tarefa praticamente impossível. A abordagem de Tuchel, que esteve perto do sucesso, expõe os limites da estratégia quando o brilho individual se sobrepõe à organização tática.

O Plano Inglês para Anular Messi: Compactação e Dobra de Marcação

Tuchel organizou a Inglaterra em um 4-3-3 assimétrico, com Declan Rice e Jude Bellingham posicionados como os primeiros a responder na contenção. O plano era direto: sempre que Messi recebesse a bola entre as linhas de marcação, dois jogadores o pressionariam imediatamente, fechando os espaços. Segundo o jornal The Guardian, Messi registrou apenas 23 passes certos no primeiro tempo, um número consideravelmente baixo para seus padrões, e não efetuou nenhuma finalização em direção ao gol até os 70 minutos de jogo.

O dado mais notável surgiu na zona de finalização: Messi apenas tocou na bola dentro da área adversária uma vez antes do intervalo, sendo desarmado por Elliot Anderson. A Inglaterra conseguiu o que poucas seleções demonstram: isolar Messi do fluxo da partida. Kyle Walker, mesmo aos 35 anos, exibiu uma performance impecável no duelo individual (1v1), contando com o apoio de Rice nas ações de dobra. O inconveniente, porém, foi que essa intensa marcação consumiu excessiva energia e abriu brechas em outros setores do campo.

Enquanto a Inglaterra concentrava seus esforços em Messi, Julian Álvarez e Ángel Di María encontravam liberdade pelos flancos. A Argentina somou 14 finalizações no total, em contraste com as 9 da Inglaterra, um indicativo de que o sufocamento imposto a Messi não inibiu a criação de chances de gol. Tuchel optou por sacrificar a amplitude ofensiva em prol da solidez defensiva, mas o custo foi considerável: a Inglaterra registrou apenas duas finalizações no segundo tempo.

Implicações para o Brasil e o Futebol Sul-Americano

Para a Seleção Brasileira, o confronto entre Inglaterra e Argentina funciona como um valioso laboratório. O Brasil tem um encontro marcado com a Argentina pelas Eliminatórias e precisa assimilar que neutralizar Messi pode não ser suficiente se Di María e Álvarez gozarem de liberdade. A abordagem tática de Tuchel demonstrou que é possível conter o camisa 10, mas o preço defensivo pago pode acarretar fragilidades em outras áreas.

No cenário do futebol sul-americano, clubes como Flamengo e Palmeiras, que frequentemente enfrentam equipes argentinas na Copa Libertadores, devem analisar como a Inglaterra empregou a marcação por zona para limitar Messi sem comprometer a capacidade de transição. O equívoco de Tuchel residiu na falta de ajustes na linha defensiva quando a Argentina começou a explorar os lados do campo. O gol sofrido pela Inglaterra originou-se precisamente de uma jogada pelo flanco direito, onde Di María encontrou espaço para realizar o cruzamento.

Para o torcedor brasileiro, a lição é inequívoca: Messi pode ser controlado por 60 a 70 minutos, mas o desgaste físico e mental inerente a mantê-lo sob vigilância constante abre brechas que jogadores como Enzo Fernández e Alexis Mac Allister sabem capitalizar. O Brasil necessita de um plano que transcenda a mera anulação de Messi, focando também em fechar as vias de acesso à sua própria área.

A Disputa pelo Domínio Sul-Americano Está Apenas Começando

O desempenho da Inglaterra contra a Argentina revela que o futebol europeu evoluiu na maneira de enfrentar craques sul-americanos, mas ainda não alcançou a fórmula definitiva. Para o Brasil, o caminho é duplo: aprender com as lições do jogo inglês e, simultaneamente, desenvolver um sistema que não dependa de um único jogador para a decisão das partidas.

Com a Copa do Mundo de 2026 se aproximando, a probabilidade é que mais seleções adotem estratégias semelhantes contra a Argentina. Cabe ao Brasil, como principal rival continental, utilizar estes dados para construir um plano que neutralize não apenas Messi, mas todo o ecossistema ofensivo argentino. O embate contra a Inglaterra deixou uma certeza: controlar Messi é factível, mas vencer a Argentina exige um esforço consideravelmente maior.

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