quarta-feira, 16 de setembro
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Reunião de oficiais de federação de futebol em uma sala de conferências, com um mapa-múndi e imagens de futebol nas paredes.
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UEFA ameaça boicotar FIFA se proposta de venda de ações for mantida

A guerra entre a UEFA e a FIFA escalou para um novo patamar. Nesta quinta-feira, a entidade máxima do futebol europeu, liderada por Aleksander Ceferin, anunciou que as 55 federações filiadas rejeitam de forma unânime a proposta de venda de ações da FIFA para empresas privadas. Em um comunicado duro, a UEFA afirmou que vai boicotar todas as competições organizadas por Gianni Infantino enquanto a ideia estiver em pauta. O movimento é uma resposta direta à reunião de emergência convocada na quarta-feira e expõe uma ruptura institucional sem precedentes no futebol mundial.

A proposta, revelada pelo presidente da FIFA, Gianni Infantino, prevê a abertura de capital da entidade para investidores externos, algo que Ceferin classificou como uma ameaça à autonomia do esporte. Segundo o jornal L’Équipe, a ideia de Infantino é criar novos torneios globais, como uma espécie de “Copa do Verde” ampliada, mas a UEFA enxerga a jogada como um sequestro do calendário e uma tentativa de transformar o futebol em produto de Wall Street. O clima é de confronto aberto, e o Mundial de Clubes de 2025, já reformulado, pode ser a primeira vítima do boicote.

O que está por trás da proposta de venda de ações da FIFA

Para entender a fúria de Ceferin e das 55 federações europeias, é preciso olhar para o modelo de negócios que Infantino tenta emplacar. A FIFA, historicamente uma associação sem fins lucrativos, quer vender uma fatia de suas operações comerciais para fundos de investimento e empresas de entretenimento. Na prática, isso significa que decisões sobre calendário, direitos de transmissão e até mesmo regras de competição poderiam ser influenciadas por acionistas privados. A UEFA enxerga aí um risco existencial: se a FIFA virar uma empresa de capital aberto, a Champions League e a Eurocopa perderiam força diante de um novo torneio global desenhado para gerar lucro máximo.

O ponto central do embate é o controle do calendário. Infantino já demonstrou que quer expandir a Copa do Mundo para 48 seleções e criar um novo Mundial de Clubes com 32 times a cada quatro anos. A UEFA, por sua vez, argumenta que isso espremeria ainda mais os jogadores e desvalorizaria as ligas nacionais. Clubes como Real Madrid e Manchester City, que apoiaram a Superliga Europeia, agora observam o movimento com atenção: se a FIFA conseguir atrair investidores, pode se tornar uma concorrente direta da própria UEFA no mercado de entretenimento esportivo.

O que o boicote da UEFA significa para o futebol brasileiro

Para o torcedor brasileiro, a briga entre UEFA e FIFA não é um mero barulho europeu. A Seleção Brasileira, comandada por Dorival Júnior, depende diretamente das datas FIFA para disputar amistosos e as eliminatórias. Se a UEFA boicotar competições como a Copa do Mundo de 2026, que será sediada por Estados Unidos, Canadá e México, o Brasil pode ficar sem adversários de peso ou até mesmo sem vaga garantida no torneio. Clubes como Flamengo e Palmeiras, que sonham com o novo Mundial de Clubes, também seriam afetados: sem a participação dos gigantes europeus, o torneio perde relevância e receita.

Além disso, a Confederação Brasileira de Futebol (CBF), presidida por Ednaldo Rodrigues, terá que escolher um lado. A tendência é que a CBF apoie a FIFA, já que Infantino tem forte influência na América do Sul e prometeu mais vagas para o continente na Copa. Mas a pressão da UEFA pode isolar o Brasil em um cenário de guerra fria no futebol. O risco concreto é que, sem um acordo, o calendário internacional vire um caos, com seleções europeias recusando jogar contra sul-americanas e clubes brasileiros perdendo receitas de bilheteria e direitos de TV em amistosos contra times da Europa.

A crise de governança que pode redefinir o futebol mundial

O movimento da UEFA não é apenas um protesto; é uma tentativa de forçar uma reestruturação na FIFA antes que seja tarde. Ceferin sabe que, se a venda de ações for aprovada no Congresso da FIFA, marcado para dezembro, a entidade europeia perderá poder de barganha. Por isso, o boicote é uma carta na mesa para mostrar que a UEFA pode existir sem a FIFA — e que a Copa do Mundo sem a Europa seria um produto inviável comercialmente. A pergunta que fica é: até onde Infantino está disposto a ir? Ele já demonstrou que não tem medo de enfrentar a UEFA, como fez ao aprovar a Copa do Mundo bienal, ideia que acabou engavetada pela pressão europeia.

Nos bastidores, segundo o The Athletic, há federações africanas e asiáticas que veem com bons olhos a proposta de venda de ações, pois acreditam que isso traria mais investimentos para o futebol em seus países. Mas a unidade europeia é um trunfo que Infantino não pode ignorar. Se o boicote se concretizar, a FIFA corre o risco de ver sua principal fonte de receita — os direitos de transmissão da Copa do Mundo — despencar, já que os maiores compradores são emissoras europeias. O futebol mundial entra em uma zona de turbulência, e o torcedor brasileiro, mais uma vez, será refém de uma briga de cartolas que parece longe de um desfecho.

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