A Conmebol, sob a liderança de Alejandro Domínguez, convocou uma reunião de emergência e enviou um pedido formal de informações à FIFA, comandada por Gianni Infantino, sobre o controverso plano de reformular o calendário do futebol mundial. A entidade sul-americana, que representa clubes como Flamengo, Palmeiras e a Seleção Brasileira, quebrou o silêncio e se tornou a última grande confederação a se posicionar contra a proposta que promete sacudir o esporte. O movimento ocorre em um momento de tensão máxima, com a FIFA pressionando por mudanças que podem esvaziar as ligas nacionais e a Copa do Mundo de Clubes.
O plano de Infantino, que prevê um mega mundial de clubes a cada quatro anos e uma reformulação das datas das eliminatórias, é visto por Domínguez como uma ameaça direta à sustentabilidade do futebol sul-americano. Segundo o Globo Esporte, a Conmebol quer detalhes sobre como a proposta afetará as competições continentais, como a Copa Libertadores, e a janela de jogos das seleções. A pressão é para que a FIFA apresente um estudo de impacto antes de qualquer votação, algo que Infantino ainda não fez de forma pública.
Por que a Conmebol está endurecendo o discurso contra a FIFA agora
A postura de Alejandro Domínguez não é um mero gesto político. A Conmebol enxerga no calendário proposto por Gianni Infantino um risco real de canibalização das datas que hoje pertencem aos campeonatos nacionais e à Libertadores. Com um possível aumento de jogos da seleção principal e a criação de uma liga mundial de clubes, times como o Atlético Mineiro e o Internacional perderiam receitas de bilheteria e direitos de transmissão, que são o sustento de suas categorias de base.
O que a entidade exige é transparência. A Conmebol quer saber, por exemplo, como a FIFA pretende compensar as federações locais pelas perdas com a redução das datas das Eliminatórias Sul-Americanas. A proposta de Infantino, que já recebeu duras críticas da UEFA, de Aleksander Ceferin, e da Premier League, agora encontra resistência organizada na América do Sul. A reunião convocada por Domínguez deve definir uma estratégia conjunta com os 10 países filiados, incluindo Argentina e Uruguai, para tentar barrar ou modificar o plano no Congresso da FIFA.
O que muda para o futebol brasileiro e para os clubes do país
Para o futebol brasileiro, a briga entre Conmebol e FIFA é uma questão de sobrevivência financeira. O Brasileirão, que tem a visibilidade de clubes como Corinthians e São Paulo, depende de um calendário cheio para manter seus acordos de TV. Se a FIFA aprovar o novo formato, a tendência é que o Campeonato Brasileiro perca datas nobres, o que reduziria o valor dos contratos de patrocínio e enfraqueceria a competitividade dos times em torneios internacionais.
Os torcedores brasileiros, que lotam estádios para ver a Seleção Brasileira de Dorival Júnior, também sentiriam o impacto. Com menos datas para amistosos e eliminatórias, a preparação da equipe nacional para a Copa do Mundo de 2026 seria prejudicada. A Conmebol, ciente disso, quer garantir que a voz do futebol sul-americano seja ouvida antes que Infantino imponha seu projeto. A reunião desta semana é o primeiro passo para que os clubes e federações locais tenham clareza sobre o que está em jogo.
A corrida contra o relógio para proteger o calendário sul-americano
O cenário nos próximos meses será de intensa negociação. A Conmebol, com apoio de Domínguez, deve levar sua insatisfação ao Conselho da FIFA, mas sabe que Infantino tem maioria entre as confederações menores. A estratégia é ganhar tempo e forçar um debate público sobre os dados financeiros que sustentam a proposta, algo que a FIFA evita apresentar. A pressão da imprensa europeia, que já expôs as contradições do plano, é uma aliada nesse processo.
A tendência é que a reunião da Conmebol produza um documento técnico robusto, com números sobre o impacto econômico no futebol brasileiro e sul-americano. Se a FIFA não recuar, a briga pode parar no Tribunal Arbitral do Esporte (CAS), como já ocorreu em outras disputas de calendário. O que está em jogo é a identidade do futebol jogado no Brasil, que sempre se orgulhou de sua intensidade e de suas rivalidades regionais. A decisão de Infantino pode mudar isso para sempre, e a Conmebol não quer ser cúmplice de um erro histórico.