quarta-feira, 16 de setembro
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Infantino em risco: FIFA ameaça mudança de liderança em meio a crises

Gianni Infantino, presidente da FIFA, enfrenta a maior crise de seu mandato. Segundo o jornal The Guardian, membros influentes do conselho da entidade planejam convocar uma assembleia geral extraordinária. O encontro pode culminar em um desafio formal à liderança do suíço, impulsionado por decisões recentes e planos controversos.

A rebelião ganhou força após a anulação do cartão vermelho do atacante Folarin Balogun, da Seleção dos Estados Unidos, durante a Copa do Mundo. A medida, considerada sem precedentes, gerou constrangimento interno e alimentou suspeitas de interferência política em detrimento da imparcialidade esportiva. Conselheiros cobram uma investigação independente sobre o caso.

Essa insatisfação, porém, já vinha crescendo. A tentativa abortada de Infantino de vender participações na Copa do Mundo para investidores privados foi o alerta final. Membros do conselho veem na manobra um desrespeito à governança da FIFA e um risco financeiro para as federações nacionais, temendo a concentração excessiva de poder e decisões unilaterais.

A convocação de uma assembleia geral extraordinária é a estratégia estatutária para forçar uma discussão pública sobre as ações de Infantino. Se o apoio necessário for obtido, o presidente terá que prestar contas perante as 211 federações filiadas, um cenário inédito em sua gestão iniciada em 2016.

A atual crise na FIFA expõe um racha profundo na cúpula do futebol mundial. O desfecho dessa disputa pode redefinir os rumos da entidade máxima do esporte, que nunca viu um presidente tão poderoso quanto Infantino sob ameaça tão concreta vinda de dentro de sua própria estrutura.

Impacto no futebol brasileiro

A instabilidade na FIFA tem implicações diretas para o Brasil. A Confederação Brasileira de Futebol (CBF), sob a presidência de Ednaldo Rodrigues, considera Infantino um aliado estratégico em discussões como a reforma do calendário internacional e a distribuição de receitas. Uma mudança de comando na FIFA poderia atrasar ou inviabilizar projetos importantes para o futebol brasileiro.

Com a Seleção Brasileira sendo uma das principais forças políticas do esporte global, o voto do Brasil ganha ainda mais peso em um cenário de disputa interna na FIFA. Tanto Infantino quanto potenciais oponentes buscarão o apoio de Ednaldo Rodrigues, colocando a CBF em uma posição de destaque nos bastidores.

Para o torcedor, a crise pode parecer distante, mas impacta diretamente a organização da Copa do Mundo de 2026, sediada nos Estados Unidos, Canadá e México. A indefinição na cúpula pode gerar atrasos em decisões comerciais e logísticas, afetando desde a venda de ingressos até a escolha de sedes de treinamento.

A corrida pela sucessão

Os próximos meses serão cruciais para o futuro de Gianni Infantino. O primeiro teste será a capacidade dos conselheiros rebeldes de obterem apoio suficiente para convocar a assembleia extraordinária. Caso a convocação seja aprovada, Infantino precisará de todo o seu capital político para sobreviver a um possível voto de confiança.

Embora nenhum nome tenha se manifestado publicamente, especulações sobre potenciais candidatos à sucessão já circulam nos bastidores, como o ex-presidente da Federação Francesa, Noël Le Graët, e o atual presidente da UEFA, Aleksander Čeferin. A disputa promete ser longa e repleta de reviravoltas, característica do xadrez político do futebol internacional.

O que está em jogo transcende um cargo: trata-se do modelo de governança do esporte mais popular do mundo. A rebelião contra Infantino pode inaugurar uma nova era de transparência e equilíbrio de poder na FIFA, ou, em um cenário menos favorável, consolidar ainda mais o controle do suíço caso ele consiga conter o movimento. O mundo do futebol acompanha atentamente um jogo de bastidores tão imprevisível quanto qualquer partida em campo.

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