quarta-feira, 16 de setembro
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Infantino nega alegações de pagamento a suposta amante; Uefa confirma acordo

Gianni Infantino, presidente da Fifa, negou veementemente as acusações do The Daily Telegraph de que teria recebido um pagamento da Uefa para silenciar uma ex-funcionária com quem manteve um relacionamento amoroso. A entidade máxima do futebol europeu, sob o comando de Aleksander Čeferin, confirmou um “pagamento de saída” de seis dígitos à mulher, além de cobrir um curso de MBA. Contudo, a Uefa classificou o acordo como uma prática “em linha” com as regulamentações da época. A Fifa, por sua vez, emitiu uma nota classificando as alegações como “categoricamente falsas”.

O caso lança uma sombra sobre a governança do futebol mundial. Infantino, que atuou como secretário-geral da Uefa entre 2009 e 2016 antes de assumir a presidência da Fifa, agora enfrenta um escândalo que pode abalar sua imagem e reacender debates sobre transparência.

Uefa confirma pagamento e levanta questões sobre bastidores

A declaração oficial da Uefa, obtida pelo The Guardian, não nega o pagamento. A entidade tenta apresentar o acordo como uma decisão administrativa corriqueira. No entanto, o vultoso valor e a cobertura de um MBA para uma funcionária supostamente envolvida com o então secretário-geral geram preocupações. Em contextos corporativos sérios, acordos dessa natureza, especialmente envolvendo pessoas próximas à alta gerência, exigiriam auditorias independentes e explicações detalhadas.

A Fifa defendeu Infantino com uma nota curta e incisiva, indicando que o presidente não pretende renunciar. Contudo, a estratégia de negação pode não ser suficiente diante da imprensa europeia, particularmente a britânica, conhecida por investigações profundas. O The Daily Telegraph alega possuir documentos e testemunhas para sustentar a reportagem.

O ponto crucial não reside apenas na veracidade do relacionamento, mas no padrão de conduta. Infantino sempre se posicionou como um defensor da ética no futebol. Qualquer desvio mina sua autoridade moral para exigir transparência de outras entidades. A Uefa, sob Čeferin, também é questionada, pois a confirmação do pagamento sugere uma resolução nos bastidores em vez de uma investigação formal.

Impacto no futebol brasileiro e na credibilidade da Fifa

Para o futebol brasileiro, a situação serve como um espelho desconfortável. A gestão da CBF, embora em busca de modernização, se vê diante de um problema sistêmico e global. Se a principal entidade do futebol mundial não demonstra rigor em casos de conflitos de interesse e acordos sigilosos, como pode cobrar isso das federações locais?

A relação de Infantino com o Brasil é notória. Sob sua gestão, a Fifa aprovou a ampliação da Copa do Mundo para 48 seleções, um benefício direto para a América do Sul. O dirigente também é visto como um aliado em discussões sobre a criação de uma liga global. Instabilidades em sua posição podem impactar negativamente esses projetos e, consequentemente, o calendário e as finanças do futebol nacional.

O caso reacende o debate sobre a carência de mecanismos de controle independentes na Fifa. O comitê de ética da entidade é frequentemente criticado por sua suposta subordinação à presidência. Sem investigações externas e imparciais, o caso tende a se arrastar, com negativas oficiais e poucas consequências práticas.

Futuro de Infantino e a pressão por transparência

Os próximos meses serão cruciais para Infantino. A menos que novas evidências concretas surjam, o dirigente provavelmente manterá sua posição. No entanto, a confirmação da Uefa sobre o acordo financeiro é um fato inegável, e a imprensa internacional dificilmente deixará o assunto esfriar.

A pressão por uma investigação independente, possivelmente conduzida por escritórios de advocacia externos ou pelas autoridades suíças, deve aumentar. A Fifa, já sob escrutínio por questões de direitos humanos em Copas anteriores, não pode arcar com mais um escândalo de governança. Para o futebol brasileiro, a lição é inequívoca: transparência é um pilar inegociável para a gestão do esporte mais popular do planeta.

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