quarta-feira, 16 de setembro
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Grupo de dirigentes de futebol em reunião em sala de conferências, com vista para um estádio ao fundo, todos em silhuetas sem rostos identificáveis.
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Infantino responde a nova denúncia que ameaça sua liderança na FIFA

A presidência de Gianni Infantino na FIFA enfrenta um novo e incômodo capítulo. O jornal inglês Telegraph trouxe à tona uma reportagem que alega que a Uefa, sob o comando de Aleksander Ceferin, teria efetuado um pagamento de valor “de seis dígitos” a uma mulher apontada como suposta amante do dirigente suíço. O episódio teria ocorrido durante o período em que Infantino ocupava o cargo de secretário-geral da entidade europeia, antes de ascender à liderança do futebol mundial.

A reação de Infantino, contudo, não foi uma confissão direta. Conforme apurado pelo próprio Telegraph, um porta-voz da FIFA refutou as acusações, classificando a matéria como “infundada” e repleta de “alegações falsas”. A estratégia de defesa do cartola, que já está sob investigação na Suíça e nos Estados Unidos, parece focar em desacreditar a fonte e o conteúdo da reportagem, mas o impacto político pode ser considerável.

O momento é particularmente delicado para o presidente da FIFA. Em meio a seus esforços para manter o cargo e promover reformas no calendário internacional, Infantino vê sua imagem manchada por escândalos que abarcam desde transações financeiras questionáveis até encontros sigilosos com autoridades judiciais. Nos bastidores da entidade máxima do futebol, a questão que persiste é a capacidade de Infantino em sustentar sua posição diante de tais adversidades.

A estratégia de defesa e a blindagem na FIFA

A resposta oficial da FIFA, via porta-voz, carece de documentos ou provas concretas. Em contrapartida, adota a narrativa de que a reportagem do Telegraph integra uma “campanha difamatória” movida por interesses ocultos. Essa tática, no entanto, já foi empregada por outros líderes do futebol, como Joseph Blatter, sem impedir o avanço de investigações judiciais.

A relação entre Infantino e Ceferin se torna um ponto de atenção. A Uefa, suposta origem do pagamento, tem como seu presidente um aliado histórico de Infantino. A denúncia, portanto, insere ambos em um cenário de potenciais conflitos de interesse, que a própria FIFA busca minimizar. A ausência de uma investigação interna independente, conforme sugerido pelo jornal britânico, reforça a percepção de uma crise de governança persistente na entidade.

Para o futebol brasileiro, que depende de repasses e da estabilidade da FIFA, a situação serve como um alerta. A Confederação Brasileira de Futebol (CBF), sob a gestão de Ednaldo Rodrigues, mantém uma relação pragmática com a FIFA. Contudo, qualquer instabilidade no alto escalão do futebol global pode impactar patrocínios, calendários e até mesmo a organização da Copa do Mundo de 2026, sediada conjuntamente por Estados Unidos, México e Canadá.

Relevância da denúncia para o futebol brasileiro

As consequências diretas dessa crise para o torcedor e os clubes brasileiros são mais significativas do que aparentam. A FIFA detém os direitos de transmissão e as cotas de premiação de torneios como o Mundial de Clubes, onde clubes brasileiros competem por premiações milionárias. Instabilidades jurídicas ou políticas na entidade podem atrasar repasses e comprometer contratos já estabelecidos.

Ademais, a imagem de Infantino está associada à expansão do futebol no Brasil. Foi sob sua gestão que o país sediou a Copa do Mundo de 2014, e mais recentemente, o Brasil foi escolhido para sediar a final da Copa do Mundo Feminina de 2027, no Maracanã. Uma intensificação da crise pode levar a FIFA a um período de inércia decisória, afetando a preparação da Seleção Brasileira e a infraestrutura dos estádios para o torneio feminino.

A orientação para os dirigentes brasileiros é clara: acompanhar atentamente os desdobramentos das investigações e evitar posicionamentos públicos que possam comprometer o futuro. A história recente demonstra que o apoio a figuras em declínio pode ser prejudicial, como o caso de Marco Polo Del Nero, banido do futebol após aliar-se a Blatter.

Próximos meses na FIFA

O cenário mais provável é que Infantino tente superar esta crise utilizando os recursos de comunicação da FIFA, buscando direcionar o foco da imprensa para notícias positivas sobre o desenvolvimento do futebol em regiões como Estados Unidos e Ásia. Entretanto, a pressão da mídia, especialmente a europeia e britânica, deve permanecer intensa.

A próxima eleição para a presidência da FIFA está agendada para 2027. No entanto, a permanência de Infantino no cargo pode ser comprometida antes disso, caso novas evidências venham à tona. A justiça suíça, que já investigou o dirigente por encontros não declarados com o procurador-geral do país, pode reabrir investigações. Paralelamente, o Departamento de Justiça dos Estados Unidos, responsável pela operação que desmantelou a antiga cúpula da FIFA em 2015, mantém vigilância sobre atividades suspeitas.

O futebol mundial, mais uma vez, testemunha uma disputa de bastidores que entrelaça poder, finanças e controvérsias. Infantino busca se manter no cargo com a mesma firmeza com que nega as acusações. Desta vez, o silêncio da Uefa e a ausência de uma resposta clara de Ceferin podem ter um peso mais revelador do que qualquer comunicado oficial.

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