Aleksander Ceferin, presidente da UEFA, e Victor Montagliani, presidente da Concacaf, formalizaram uma exigência conjunta à FIFA para um repasse bilionário às federações nacionais. A informação, divulgada pelo portal Terra com acesso ao documento enviado à entidade máxima do futebol, propõe que a FIFA distribua parte dos lucros recordes do ciclo 2026, impulsionados pela Copa do Mundo nos Estados Unidos, México e Canadá, diretamente às confederações e, consequentemente, às federações filiadas.
A pressão surge em um momento de expressiva saúde financeira para a FIFA, que registrou receitas superiores a US$ 11 bilhões no ciclo atual. Ceferin e Montagliani defendem que este montante não deve permanecer concentrado apenas nos cofres da entidade presidida por Gianni Infantino. A proposta mira um repasse direto que, segundo o Terra, pode alcançar US$ 1 bilhão, beneficiando federações de todos os continentes.
No Brasil, a Confederação Brasileira de Futebol (CBF) observa a movimentação com grande interesse. Embora o presidente Ednaldo Rodrigues não tenha se manifestado oficialmente, nos bastidores, a entidade vê a iniciativa com bons olhos. A CBF enfrenta desafios financeiros, e um repasse adicional da FIFA poderia aliviar sua situação e viabilizar investimentos cruciais em categorias de base e infraestrutura.
UEFA e Concacaf buscam redefinir a distribuição de receitas da FIFA
Atualmente, a FIFA concentra a maior parte das receitas geradas por patrocínios, direitos de transmissão e bilheteria da Copa do Mundo. Historicamente, as confederações recebem valores fixos, enquanto as federações nacionais dependem de repasses indiretos. Ceferin e Montagliani almejam alterar essa dinâmica, reivindicando um percentual maior e mais transparente na distribuição.
Conforme apurado pelo Terra, a UEFA já indicou que poderá pressionar por alterações no estatuto da FIFA caso seu pedido não seja acatado. A Concacaf, por sua vez, possui um interesse direto, visto que sediará a Copa de 2026 e busca garantir que os lucros do torneio sejam distribuídos de maneira mais equitativa entre seus membros.
A FIFA, ao ser procurada, não ofereceu comentários oficiais até o fechamento desta matéria. Internamente, a entidade considera que um repasse bilionário poderia desequilibrar suas finanças e comprometer sua capacidade de investir em projetos globais. No entanto, Gianni Infantino enfrenta uma pressão crescente por maior transparência na gestão dos recursos.
Impacto do repasse da FIFA para o futebol brasileiro
Caso a proposta seja aprovada, a CBF tem potencial para receber uma fatia considerável desse repasse. Embora o valor exato ainda não esteja definido, estimativas sugerem que federações de países com forte tradição no futebol, como Brasil, Argentina e México, poderiam ser beneficiadas com até US$ 20 milhões cada.
Estes fundos adicionais poderiam ser direcionados para a quitação de dívidas, aprimoramento da estrutura dos clubes e investimentos em arbitragem e formação de treinadores. Contudo, especialistas alertam que, na ausência de critérios claros de fiscalização, o repasse corre o risco de se diluir em despesas administrativas.
A ação conjunta da UEFA e da Concacaf também pode impulsionar discussões sobre a criação de uma liga sul-americana unificada ou ajustes no calendário futebolístico. Para o torcedor brasileiro, o impacto direto se traduziria em campeonatos de maior qualidade e maior competitividade dos clubes em âmbito internacional.
Próximos passos na disputa entre FIFA e confederações
A expectativa é que o tema ganhe destaque nas reuniões do Conselho da FIFA nos próximos meses. Ceferin e Montagliani já articulam apoio de outras confederações, como a CONMEBOL, que também demonstra simpatia pela proposta de redistribuição de receitas.
Se a FIFA ceder às exigências, o futebol mundial poderá inaugurar uma nova era de repasses diretos, conferindo maior autonomia financeira às federações. Em caso contrário, a disputa pode se estender até a Copa de 2026, gerando um clima de incerteza nos bastidores.
Para o Brasil, o desfecho desta negociação pode significar um impulso vital para o desenvolvimento do esporte ou apenas mais uma disputa política interna na CBF. O cerne da questão transcende o aspecto financeiro, abordando o próprio modelo de governança do futebol global.