Lionel Messi, em mais uma atuação decisiva, selou o destino da Argentina. Aos 43 minutos do segundo tempo, com o placar em 1-1, o camisa 10 recebeu de Enzo Fernández, aplicou um drible seco em Harry Maguire e disparou um remate em curva, indefensável, no ângulo de Jordan Pickford. O golo classificou a Argentina para a final da Copa do Mundo 2026 contra a Espanha, frustrando o sonho inglês de disputar o título em Wembley.
O confronto no MetLife Stadium foi um duelo tático. A Inglaterra de Gareth Southgate começou melhor, pressionando a saída argentina e explorando o corredor de Nahuel Molina. Aos 22 minutos, Bukayo Saka concluiu de primeira um cruzamento rasteiro de Jude Bellingham. A Argentina sentiu o golo, mas reagiu sob o comando de Lionel Scaloni. O ajuste, com Rodrigo De Paul pressionando a saída de John Stones e limitando Declan Rice, surtiu efeito. O empate veio aos 38, em falta lateral de Ángel Di María que Cristian Romero cabeceou com precisão.
O segundo tempo manteve a intensidade. Southgate tentou dar mais velocidade com Marcus Rashford, mas a defesa argentina, com Romero e Nicolás Otamendi, permaneceu sólida. Scaloni, por sua vez, fortaleceu o meio-campo com Leandro Paredes, liberando De Paul. A jogada da vitória nasceu de um desarme de Paredes, que acionou Fernández para a assistência ao lance genial de Messi.
O plano de Scaloni desmantelou a Inglaterra
A estratégia de Scaloni foi crucial. A movimentação de Julian Álvarez, arrastando Harry Maguire para fora da área, foi explorada para que Messi recebesse entre as linhas. Essa dinâmica resultou no golo de empate: com Maguire fora de posição, Romero apareceu livre para finalizar na área.
A marcação encaixada de De Paul sobre Bellingham foi outro pilar. O médio inglês, motor da equipa, teve a sua influência reduzida. Sem a transição de Bellingham, a Inglaterra recorreu a lançamentos longos para Harry Kane, que foi sistematicamente superado por Otamendi nos duelos aéreos.
Implicações para o futebol brasileiro
Para o Brasil, a eliminação inglesa é agridoce. A rivalidade é acirrada pela chance argentina de igualar o pentacampeonato. Contudo, a derrota expõe a rigidez tática de Southgate e a dificuldade da Inglaterra em adaptar-se quando seu plano inicial falha. A demora nas substituições e o colapso anímico após sofrer o segundo golo são lições.
O desgaste físico da Premier League é outro ponto de análise, exemplificado pelo desconforto muscular de Saka. O impacto do calendário europeu no rendimento em torneios curtos é um alerta para o planeamento de qualquer seleção, incluindo a brasileira, e para a gestão de ativos por clubes.
Argentina x Espanha: a final e o legado de Messi
A final em Wembley opõe estilos: a posse de bola da Espanha de Luis de la Fuente, com Pedri e Gavi, contra a Argentina de transição rápida e pragmatismo de Scaloni. Aos 39 anos, Messi tem a chance de conquistar o bicampeonato mundial, consolidando definitivamente o seu legado.
Para o Brasil, a final é um espelho. A Argentina prova que um plano tático coeso e um coletivo forte superam um elenco de estrelas. Enquanto a CBF busca um rumo, Scaloni consolidou uma identidade que pode levar ao bicampeonato consecutivo. Uma conquista argentina reforçaria a hegemonia sul-americana, um desfecho amargo para o futebol brasileiro.