sexta-feira, 18 de setembro
Ao vivo
Tática de jogo da seleção inglesa durante um confronto de futebol
← Voltar para notícias Futebol

Bellingham e Kane: A Solução Tática de Tuchel para o Ataque Inglês na Copa de 2026

Thomas Tuchel, técnico da Inglaterra, enfrenta um desafio peculiar: potencializar o ataque sem a dependência exclusiva de Harry Kane. Embora o camisa 9 tenha balançado as redes 13 vezes em 17 jogos sob seu comando, nenhum outro atleta inglês superou a marca de três gols. No entanto, o confronto contra o Panamá revelou uma possível solução: a dinâmica entre Kane e Jude Bellingham. O jovem meio-campista do Real Madrid não apenas criou espaços vitais para Kane, mas também assumiu a iniciativa na finalização, preenchendo uma lacuna crucial da seleção inglesa diante de defesas compactas.

O embate contra o Panamá, pela fase de grupos da Copa do Mundo de 2026, evidenciou a principal fragilidade do ataque inglês: a dificuldade em construir jogadas efetivas contra defesas bem postadas. Embora a equipe de Tuchel, como aponta o The Guardian, ainda busque maior fluidez em campo aberto, a crescente parceria entre Bellingham e Kane já oferece respostas promissoras. A questão não se resume a quem finaliza, mas sim à forma como um movimenta-se para liberar o outro para concluir.

O que a conexão Bellingham-Kane muda na tática de Tuchel

Tuchel posicionou Bellingham como um meia-atacante com total liberdade para flutuar entre as linhas defensivas. Enquanto Kane recuava estrategicamente para iniciar a construção das jogadas, Bellingham, em rápida infiltração, assumia a posição de ataque dentro da área. No jogo contra o Panamá, o camisa 10 do Real Madrid finalizou quatro vezes, acertando o alvo em duas ocasiões, além de providenciar a assistência para o gol de cabeça de Kane, originado de um escanteio. Essa inteligente troca de posições desorganizou completamente a marcação adversária.

A distribuição de gols durante o ciclo Tuchel evidencia a centralidade de Kane (13 gols), com o segundo maior artilheiro tendo apenas três. Essa dependência, contudo, pode ser quebrada por Bellingham. A dinâmica é clara: quando o camisa 10 do Real Madrid arremata ao gol, Kane cumpre o papel de atrair zagueiros; e quando Kane recua para armar, Bellingham se projeta como referência ofensiva. Trata-se de um crucial movimento de balanço ofensivo, um atributo que Tuchel, até então, não havia conseguido extrair com consistência de outro jogador.

Por que isso importa para o torcedor brasileiro que acompanha a Copa

Para o torcedor brasileiro, a evolução tática da Inglaterra na Copa do Mundo de 2026 é de interesse direto. A Seleção Brasileira, sob a liderança de Dorival Júnior, pode enfrentar os ingleses nas fases eliminatórias. Caso Bellingham e Kane mantenham essa sintonia, a Inglaterra transcende a reputação de uma equipe dependente de bolas paradas, emergindo como uma ameaça autêntica em jogadas construídas. O Brasil, que historicamente demonstra vulnerabilidade em transições defensivas, terá de redobrar a atenção aos movimentos de infiltração do versátil meia do Real Madrid.

Adicionalmente, a performance de Bellingham como um segundo atacante revigora o debate em torno da função do camisa 10 no futebol contemporâneo. Distinto do armador clássico, ele se destaca pela capacidade de atacar espaços e finalizar com contundência, um perfil que, em Copas anteriores, foi visto em jogadores como Philippe Coutinho e James Rodríguez, mas talvez com menor intensidade. Se a Inglaterra prosseguir no torneio, Tuchel terá consolidado um modelo tático que pode inspirar e ser adaptado por outras seleções.

O que esperar da Inglaterra nas oitavas de final

O próximo desafio da Inglaterra nas oitavas de final, contra um adversário com linha defensiva mais adiantada, será um teste ainda mais rigoroso para a conexão entre Bellingham e Kane. Se a dupla replicar o entrosamento demonstrado contra o Panamá, Tuchel pode ter finalmente encaminhado a solução para o dilema ofensivo inglês no restante do Mundial. A expectativa é que Bellingham conquiste ainda maior liberdade para finalizar, enquanto Kane se reafirma como o homem-gol, cuja presença atrai a marcação e, consequentemente, abre espaços.

Apesar de ainda não ter ‘encantado’, a Inglaterra, diante do Panamá, exibiu um “Plano B” ofensivo que transcende a dependência de bolas paradas e penalidades. Se Bellingham mantiver seu nível excepcional, a seleção de Tuchel poderá, enfim, traduzir o favoritismo teórico em performance concreta nos gramados. O torneio está longe de ter um desfecho definido, e a sinergia entre o craque do Real Madrid e o goleador do Bayern de Munique pode, de fato, ser o elemento diferencial que faltava para os ingleses.

Rolar para cima