Lionel Messi e Cristiano Ronaldo disputaram o que foi, possivelmente, sua última Copa do Mundo. Para o torcedor que sonhava em vê-los ao vivo na fase de grupos, o custo dos ingressos virou um capítulo à parte. Segundo o Globo Esporte, no mercado secundário, jogos de alta demanda como Argentina x México e Portugal x Uruguai ultrapassavam US$ 1.500 (cerca de R$ 7.500) nos setores mais próximos ao gramado.
O duelo de Messi (Argentina) contra o México, em 26 de novembro, no Estádio Lusail, teve entradas a partir de US$ 350 (R$ 1.750) em setores mais afastados. Já o confronto de Cristiano Ronaldo (Portugal) com o Uruguai, em 28 de novembro, no mesmo estádio, exigia desembolso mínimo de US$ 420 (R$ 2.100). A diferença refletia a enorme procura por ambos, com os jogos entre os mais aguardados da primeira fase, segundo dados de demanda da FIFA.
Assistir a ambos os jogos poderia custar até R$ 10 mil apenas em ingressos por pessoa (sem viagem/hospedagem). A Match Hospitality, parceira oficial da FIFA, oferecia pacotes de hospitalidade com alimentação e bebidas por a partir de US$ 2.200 (R$ 11 mil) por partida. Ver Messi e Ronaldo na fase de grupos do Mundial foi, de fato, um luxo para poucos.
O que explicou o preço dos ingressos para Messi e Ronaldo
O valor elevado não era pontual. A FIFA adotou um sistema de precificação dinâmica para a Copa de 2022, variando os preços conforme a demanda em tempo real. Partidas com maior apelo midiático — como as de Messi e Cristiano Ronaldo — dispararam. No site oficial, ingressos de categoria 1 para Argentina x México, por exemplo, custavam US$ 600 (R$ 3.000), mas esgotaram em minutos.
No mercado secundário, sites como Viagogo e StubHub listavam entradas para Portugal x Uruguai por até US$ 2.800 (R$ 14 mil). A diferença entre o valor de face e o de revenda chegava a 400%, uma prática que a FIFA tentou coibir, mas que dominou a busca por bilhetes de última hora. O apelo global das duas estrelas inflacionou o mercado.
A capacidade dos estádios era outro fator. O Estádio Lusail, palco de Argentina x México e Portugal x Uruguai, com 88.966 lugares, teve uma demanda muitas vezes superior à oferta, segundo a Match Hospitality. Já o Estádio 974 (44.089 lugares), onde a Argentina também jogou, tinha menos assentos, acirrando ainda mais a disputa. A FIFA destinou parcelas significativas dos bilhetes para torcedores locais e das seleções envolvidas, com o restante disputado globalmente.
Por que isso importava para o torcedor brasileiro
Para o brasileiro que foi ao Catar, o custo para assistir a Messi e Ronaldo não era apenas financeiro. Embora a logística entre os estádios fosse simples — o metrô de Doha cobria todas as sedes —, a hospedagem disparou. Hotéis próximos ao Estádio Lusail cobravam diárias de US$ 800 (R$ 4.000) durante a semana dos jogos, segundo o Booking.com. Acomodações mais afastadas custavam, em média, US$ 200 (R$ 1.000) por noite.
Além de acompanhar a Seleção Brasileira, ver de perto os últimos momentos de duas lendas em Copas era um grande atrativo. Para muitos, era a chance final de testemunhar o português, aos 37 anos, e o argentino, aos 35, em um Mundial. A CBF estimava 30 mil brasileiros no Catar durante a fase de grupos, com muitos buscando garantir presença também nos jogos de outras grandes seleções.
O impacto prático era a necessidade de um planejamento financeiro robusto. Pacotes de agências como a Decolar, incluindo ingressos para jogos como Argentina x México e Portugal x Uruguai, partiam de R$ 25 mil por pessoa. Comprar por conta própria podia gerar economia, mas com o alto risco de não conseguir os bilhetes mais concorridos. A FIFA liberou uma nova leva de ingressos em outubro, mas a procura derrubou o site por horas.
Como o mercado de ingressos se comportou nos dias finais
Com a proximidade dos jogos, os preços no mercado paralelo subiram ainda mais. A FIFA anunciou o fim das vendas oficiais para as partidas de maior procura, fortalecendo a revenda. Sites como Viagogo projetavam que os valores poderiam dobrar na semana do evento, especialmente com o bom desempenho inicial dos craques.
Para o torcedor sem ingresso, a recomendação era monitorar com cautela os sites de revenda. A FIFA alertava que bilhetes de canais não oficiais poderiam ser invalidados, embora a fiscalização fosse complexa. O Globo Esporte apurou que cambistas em Doha vendiam entradas para Portugal x Uruguai a US$ 3.000 (R$ 15 mil), com pagamento em espécie.
Ver Messi e Ronaldo em sua provável despedida de Copas foi um privilégio caro. Para quem pôde arcar com os custos, a experiência foi inesquecível. Para a maioria, restou acompanhar pela TV e torcer por um encontro decisivo no mata-mata, que o destino do futebol não proporcionou.