quinta-feira, 17 de setembro
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FIFA abre processo contra Argentina por faixa sobre as Malvinas; perda de pontos é risco real

A FIFA abriu um processo disciplinar que pode custar caro à Seleção Argentina. Durante a partida contra o Chile, pelas Eliminatórias da Copa 2026, jogadores da Albiceleste exibiram uma faixa com os dizeres “Las Malvinas son argentinas”. O gesto, uma violação direta das regras da entidade sobre manifestações políticas, coloca a Associação do Futebol Argentino (AFA) sob risco de sanções severas.

A AFA foi enquadrada no artigo 13 do Código Disciplinar, que proíbe o uso de eventos esportivos para manifestações de natureza política. A punição pode variar de uma multa financeira pesada à dedução de pontos na competição — o que impactaria diretamente a campanha da equipe de Lionel Messi rumo ao Mundial.

Embora a Argentina tenha sido multada no Mundial do Catar em 2022, as infrações foram distintas, envolvendo cânticos ofensivos da torcida e violações de regulamento de mídia. O caso atual é considerado mais grave por se tratar de uma ação política explícita dos jogadores em campo durante uma partida oficial das Eliminatórias, dando à FIFA base para uma sanção desportiva.

O que diz o regulamento da FIFA sobre política no futebol

O artigo 13 do Código Disciplinar da FIFA é taxativo: “É proibido usar eventos esportivos para manifestações de natureza política, religiosa ou racial”. A regra se aplica a atletas, comissões técnicas e dirigentes. A faixa exibida pelos argentinos, com a reivindicação de soberania sobre as Ilhas Malvinas, configura uma clara infração.

A entidade possui um histórico de punições similares. Casos notórios incluem as sanções a jogadores da Suíça (Xhaka e Shaqiri) por gestos políticos relacionados a Kosovo e Albânia na Copa de 2018. Embora a AFA tenha sido multada em 50 mil francos suíços no Catar por outras infrações, a perda de pontos seria um golpe inédito e muito mais duro.

Para a AFA, multas são um custo operacional. A perda de pontos, no entanto, seria um prejuízo desportivo direto para o projeto do técnico Lionel Scaloni, afetando a classificação para o Mundial de 2026. A FIFA sabe que uma sanção deste tipo teria enorme repercussão.

Por que isso importa para o futebol brasileiro e sul-americano

Uma eventual dedução de pontos da Argentina altera o equilíbrio na disputa por vagas para a Copa do Mundo de 2026. Com seis vagas diretas e uma para repescagem, qualquer mudança na tabela beneficia concorrentes, incluindo a Seleção Brasileira de Dorival Júnior. Rivais diretos poderiam ganhar posições cruciais.

Além disso, o caso testa a consistência da FIFA. A entidade, que proíbe manifestações de atletas, é frequentemente criticada por sua seletividade, ao permitir que eventos como a Copa do Catar sejam usados como plataforma política por regimes autoritários. A forma como a regra é aplicada gera desconfiança entre federações e torcedores.

O episódio também reforça a politização do esporte na América do Sul, onde rivalidades nacionais frequentemente extrapolam o campo de jogo, colocando a CONMEBOL e a FIFA em posições delicadas.

O que esperar da decisão da FIFA

A FIFA deve anunciar sua decisão após analisar o relatório da partida. A tendência é que a entidade aplique uma multa elevada para evitar uma escalada no conflito com o governo argentino, que defende o ato como “afirmação de soberania”.

No entanto, a reincidência pode forçar a entidade a aplicar uma sanção desportiva para firmar sua autoridade. Para a equipe de Lionel Scaloni, o episódio serve como um alerta de que as regras da FIFA sobre neutralidade política são um limite perigoso a ser testado.

O desfecho deste caso sentará um precedente importante para as Eliminatórias Sul-Americanas, definindo até onde o futebol pode ser usado como palco para disputas geopolíticas. Para o Brasil, observar a decisão é uma questão de estratégia.

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