quinta-feira, 17 de setembro
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Conferência de imprensa de um grande evento de futebol, com um palco, microfones, jornalistas e uma faixa de estádio ao fundo.
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FIFA considera cobrar R$400 por coletiva na final da Copa 2026: a nova fronteira da monetização no futebol

Com a final da Copa do Mundo de 2026 no horizonte, a FIFA gerou controvérsia ao anunciar um plano de cobrar R$ 400 por ingresso para a coletiva de imprensa da decisão. A medida, que abre o evento tradicionalmente jornalístico para torcedores pagantes, foi noticiada pelo portal Terra e provocou críticas imediatas, sendo vista como um passo agressivo na mercantilização do futebol.

A coletiva, programada para o MetLife Stadium, em Nova Jersey, contará com os técnicos finalistas. A FIFA justifica o valor como forma de gerenciar o público e criar uma nova fonte de receita. No entanto, a iniciativa levanta sérios questionamentos sobre o acesso à informação e a relação da entidade com a base de fãs e a imprensa.

A justificativa da FIFA para a cobrança

A decisão de cobrar pelo acesso à coletiva de imprensa não é um fato isolado na gestão de Gianni Infantino, que busca maximizar as fontes de receita da entidade. A coletiva, antes um espaço exclusivo da imprensa, é reformulada como um produto comercial. Conforme reportado pelo Terra, a justificativa oficial foca no controle de público e na oferta de uma “experiência organizada”.

Na prática, a FIFA converte um evento jornalístico em uma atração paga. A entidade parece tratar a coletiva como um produto de consumo, em detrimento do seu papel como canal de informação. Para os torcedores pagantes, a promessa é de um acesso exclusivo aos protagonistas da final. A principal crítica, contudo, é que a medida exclui jornalistas independentes e torcedores com menor poder aquisitivo.

Essa política acentua a crescente tensão entre a FIFA e a imprensa. Nos últimos anos, a entidade já vinha reduzindo credenciais e restringindo o acesso a zonas mistas. A cobrança pela coletiva representa um novo capítulo nessa relação, onde o controle da narrativa e a receita direta parecem prioritários.

Impacto para o torcedor brasileiro

Para o torcedor brasileiro, a notícia representa mais uma barreira no acesso ao maior evento de futebol do mundo. A cobrança de R$ 400 afeta diretamente aqueles que viajam para acompanhar o torneio, exigindo um desembolso considerável para ouvir as declarações dos treinadores finalistas, algo antes gratuito e de interesse público.

A medida também impacta diretamente os jornalistas brasileiros. Veículos como o Globo Esporte e a ESPN Brasil criticaram a decisão, argumentando que a coletiva é um espaço de trabalho e interesse público, não um espetáculo pago. A FIFA, com isso, estabelece uma barreira financeira que pode dificultar a cobertura do evento.

Na prática, a entidade cria um acesso ‘premium’ à informação, relegando a maioria dos fãs a transmissões controladas por canais oficiais. Essa iniciativa abre um precedente preocupante para futuras edições da Copa, onde até entrevistas pós-jogo poderiam se tornar eventos pagos.

A monetização da Copa ganha novos contornos

A cobrança pela coletiva da final sinaliza a intenção da FIFA de monetizar cada aspecto do torneio, somando-se a pacotes de hospitalidade e ingressos premium. A tendência é que a entidade explore ainda mais a venda de acesso a bastidores, treinamentos e entrevistas, antes parte da cobertura jornalística.

Para o futebol brasileiro, a movimentação serve como alerta. Práticas da FIFA podem ser replicadas pela CBF e clubes em competições como a Copa do Brasil e o Brasileirão. Embora a criação de ‘produtos de informação’ possa gerar receita, ela também arrisca afastar o torcedor comum, que já lida com ingressos caros e assinaturas de pay-per-view.

A reação do público a essa iniciativa será determinante para o futuro da relação entre a FIFA e sua base de fãs. Uma baixa adesão e críticas generalizadas podem forçar a entidade a rever a posição. Caso contrário, a prática tende a se consolidar, reforçando a percepção de que o futebol se torna, cada vez mais, um produto de luxo.

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