quarta-feira, 16 de setembro
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Reunião de jogadores e oficiais de futebol em uma sala de conferências, com mapa mundial e silhueta de estádio ao fundo.
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FIFPro exige reformas na FIFA após escândalo de abuso de poder

A pressão sobre a FIFA intensificou-se esta semana. A FIFPro, federação global que representa os jogadores profissionais de futebol, divulgou um comunicado contundente, exigindo reformas estruturais na entidade máxima do esporte. A demanda surge após o escândalo que envolve o presidente Gianni Infantino e o ex-procurador-chefe da Suíça, reacendendo o debate sobre a governança no futebol mundial e colocando Infantino no centro de uma crise com potenciais repercussões políticas e jurídicas.

A FIFPro classificou a situação como um claro exemplo de “abuso de poder” e solicitou transparência total nas investigações. A entidade, que congrega sindicatos de atletas de diversas nações, incluindo o Brasil, criticou veementemente a gestão de Infantino e defendeu a participação de jogadores e ex-jogadores nos processos decisórios da FIFA. Este momento é particularmente delicado, com a proximidade da Copa do Mundo de 2026, o que confere urgência à necessidade de uma reforma administrativa.

Por que a FIFPro decidiu agir contra Gianni Infantino

A decisão da FIFPro não é um ato isolado, mas sim o reflexo de crescentes questionamentos sobre a conduta de Infantino, que já enfrentou investigações na Suíça e na França. O episódio mais recente, centrado em reuniões sigilosas com o ex-procurador-geral suíço Michael Lauber, levantou suspeitas de conluio e favorecimento. Para a FIFPro, a ausência de prestação de contas na FIFA representa um problema estrutural que afeta diretamente os direitos dos jogadores.

As propostas da entidade ultrapassam a mera resposta ao escândalo atual. A FIFPro advoga pela criação de mecanismos independentes de supervisão, pela revisão do código de ética e pela implementação de limites de mandato para a presidência. O objetivo é evitar a concentração excessiva de poder, similar ao que ocorreu nas gestões de João Havelange e, mais recentemente, de Infantino. A comparação com o passado evidencia a natureza recorrente do problema, mas a atual mobilização dos jogadores demonstra um nível de organização sem precedentes.

Impacto para o futebol brasileiro e clubes da Série A

A repercussão deste conflito tem implicações diretas para o futebol brasileiro. A Confederação Brasileira de Futebol (CBF), sob a liderança de Ednaldo Rodrigues, encontra em Infantino um aliado significativo em termos de financiamento e apoio político. Qualquer reforma que venha a enfraquecer o poder do presidente da FIFA poderia desestabilizar o equilíbrio de forças nas confederações sul-americanas, incluindo a Conmebol, presidida por Alejandro Domínguez. Clubes de destaque como Flamengo, Palmeiras e Corinthians, cujas rotinas e premiações são influenciadas pelas decisões da FIFA, observam este desenrolar com cautela.

Adicionalmente, a pressão exercida pela FIFPro pode abrir portas para que atletas brasileiros proeminentes, como Neymar e Casemiro, tenham uma participação mais ativa nas decisões que moldam suas carreiras. A criação de um conselho consultivo com atletas em atividade é uma das principais bandeiras da FIFPro. Se concretizada, essa iniciativa poderia promover um maior equilíbrio nas negociações relativas ao calendário internacional, um dos pontos de maior insatisfação entre os jogadores nos últimos anos, especialmente com a expansão do Mundial de Clubes.

A busca por transparência na FIFA ganha força

O movimento da FIFPro tende a ganhar proeminência nos próximos meses, impulsionado pela proximidade do Congresso da FIFA, agendado para o primeiro semestre de 2026. Prevê-se que a entidade apresente uma proposta formal de reforma estatutária, o que forçaria Infantino a negociar ou a confrontar uma cisão interna. A atenção da imprensa internacional, com reportagens de veículos como o The New York Times e o Le Monde, também contribuirá para manter o tema em pauta.

Para os jogadores, o momento exige união. A FIFPro deixou claro que não aceitará respostas evasivas e está disposta a levar o caso às últimas instâncias, incluindo possíveis ações na Corte Arbitral do Esporte (CAS). O cenário do futebol mundial, que ainda se recupera da transição pós-Joseph Blatter, agora aguarda para ver se Gianni Infantino conseguirá superar mais esta crise. As respostas se darão nos bastidores, mas seus efeitos serão sentidos diretamente em campo, nos contratos e na gestão global do esporte.

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