quarta-feira, 16 de setembro
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Infantino usa Cabo Verde para defender plano da FIFA e rebater UEFA

Gianni Infantino, presidente da FIFA, recorreu ao exemplo de Cabo Verde para justificar a criação de um novo torneio mundial de clubes e rebater as críticas da UEFA. Em entrevista ao jornal suíço Blick, Infantino afirmou que a entidade máxima do futebol não pode se curvar aos interesses europeus e que o futebol global precisa de mais competições inclusivas. A declaração acirra ainda mais a disputa entre a FIFA e a UEFA, que já ameaçou boicotar o evento.

A proposta da FIFA prevê um Mundial de Clubes com 32 equipes, a ser realizado a cada quatro anos, a partir de 2025. A UEFA, liderada por Aleksander Ceferin, critica o calendário apertado e a falta de consulta aos clubes europeus, que seriam os principais afetados. Infantino, no entanto, argumenta que o futebol não pode ser dominado por uma única confederação e que países como Cabo Verde merecem oportunidades iguais de competir em alto nível.

O debate expõe a tensão entre o futebol europeu, que concentra a maior parte da receita e dos talentos, e o restante do mundo, que busca maior representatividade. A posição de Infantino, embora polêmica, ecoa um sentimento de insatisfação de federações menores, que veem no novo formato uma chance de projeção internacional.

Por que Infantino escolheu Cabo Verde como exemplo

A escolha de Cabo Verde não foi aleatória. O país africano, com pouco mais de 500 mil habitantes, vive um momento de ascensão no futebol — a Seleção Cabo-verdiana se classificou para a Copa do Mundo de 2026, algo inédito em sua história. Para Infantino, esse é o tipo de história que a FIFA quer promover: dar a nações pequenas a chance de enfrentar gigantes como Real Madrid ou Manchester City em um torneio global.

O presidente da FIFA também lembrou que a UEFA já organiza a Champions League, que gera bilhões de euros anualmente, e que não precisa de mais proteção. “Não é obrigação dos clubes europeus participarem”, disse Infantino, em tom de desafio. A declaração, no entanto, ignora o fato de que sem os gigantes europeus o torneio perderia audiência e receita — justamente o que a UEFA usa como argumento para pressionar a FIFA.

Do ponto de vista estratégico, Infantino busca apoio das 211 federações filiadas à FIFA, a maioria delas de países com pouca expressão no cenário global. Ao citar Cabo Verde, ele sinaliza que o novo Mundial de Clubes não é apenas um negócio para os ricos, mas uma ferramenta de desenvolvimento do futebol. A jogada política é clara: isolar a UEFA e construir uma base de apoio entre as confederações da África, Ásia e Américas.

O que muda para o futebol brasileiro com o novo Mundial de Clubes

Para o futebol brasileiro, a proposta de Infantino pode representar uma mudança significativa. Clubes como Flamengo, Palmeiras e Atlético-MG, que têm investido pesado em elencos e estrutura, veem no novo formato uma chance de competir em igualdade com os europeus. Atualmente, o Mundial de Clubes é disputado em apenas uma semana, com o campeão da Libertadores enfrentando o vencedor da Champions League em jogo único. Com 32 equipes, o torneio ganharia mais jogos, mais visibilidade e, potencialmente, mais receita.

No entanto, o calendário já apertado do futebol brasileiro pode ser um entrave. A CBF e os clubes teriam que negociar datas com a FIFA para encaixar o torneio, que está previsto para ocorrer em junho e julho, período que coincide com o Brasileirão e a Copa do Brasil. A pressão sobre os atletas também preocupa: jogadores como Gabriel Barbosa (Flamengo) e Raphael Veiga (Palmeiras) já acumulam mais de 60 partidas por temporada.

Outro ponto é a distribuição de vagas. A FIFA ainda não definiu os critérios, mas a América do Sul deve ter de 4 a 6 representantes. Isso significa que o G-6 do Brasileirão pode se tornar ainda mais disputado, já que a vaga no Mundial passaria a ser um objetivo de médio prazo para os clubes. Para o torcedor brasileiro, a perspectiva de ver seu time enfrentar Barcelona, Bayern de Munique ou Liverpool em jogos oficiais é tentadora — mas o preço pode ser um calendário ainda mais exaustivo.

A briga entre FIFA e UEFA está apenas começando

O embate entre Infantino e Ceferin não deve se resolver tão cedo. A UEFA já sinalizou que pode boicotar o torneio, e a Associação Europeia de Clubes (ECA) estuda ações legais contra a FIFA. Do outro lado, Infantino conta com o apoio de federações menores e de patrocinadores que veem no novo formato uma oportunidade de expandir o mercado do futebol para além da Europa.

Para o futebol brasileiro, o desfecho dessa disputa pode definir o futuro das competições internacionais nos próximos anos. Se a FIFA vencer, clubes como Flamengo e Palmeiras terão um palco global para mostrar seu futebol. Se a UEFA prevalecer, o status quo se mantém, e o Mundial de Clubes continuará sendo um torneio de fachada, com o campeão europeu sempre favorito. O que está em jogo, no fundo, é o controle do futebol mundial — e Infantino parece disposto a jogar duro para não perder.

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