quarta-feira, 16 de setembro
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Israel retira apoio a Gianni Infantino, sinalizando crise na FIFA

A demissão de Kevin Lamour, diretor de operações da FIFA, por Gianni Infantino, após críticas do francês ao plano de venda dos direitos de transmissão da Copa do Mundo, intensificou a crise na entidade máxima do futebol. Nesta terça-feira, a Federação de Futebol de Israel (IFA) oficializou a retirada de seu apoio à reeleição do presidente, em carta assinada por Moshe Zuares. Este movimento, somado à insatisfação de outras federações, evidencia um racha que promete agitar os próximos dias.

A decisão israelense reflete um mal-estar que se arrasta desde a proposta de reformulação do calendário e, principalmente, da controversa ideia de vender os direitos de transmissão da Copa do Mundo de 2026 e 2030 para um fundo de investimento. A demissão de Lamour, visto como um dos poucos executivos com autonomia para questionar a gestão, foi a gota d’água para federações que desconfiam da concentração de poder nas mãos de Infantino. A IFA citou uma ‘crise de confiança sem precedentes’ e a necessidade de uma ‘visão e direção adequadas para o futebol mundial’.

O gesto de Israel, país com peso político considerável, pode ser o catalisador para que outras federações se posicionem contra a gestão de Infantino. A pergunta que paira nos bastidores é: quantos votos o presidente da FIFA ainda detém para a eleição de 2027?

A demissão de Lamour e o aprofundamento do conflito

A demissão de Kevin Lamour, chief operating officer, não foi um mero ato administrativo. Lamour representava a voz técnica que alertava para os riscos legais e financeiros do plano de venda dos direitos de transmissão da Copa. Ao silenciá-lo, Infantino enviou um recado de intolerância à dissidência interna. Para federações como a de Israel, que valorizam a transparência, a atitude foi interpretada como autoritarismo.

O plano de venda, que envolveria a negociação dos direitos de mídia para investidores, é visto por críticos como uma forma de privatizar lucros e externalizar riscos, comprometendo a independência da FIFA. A insistência de Infantino no projeto contrasta com a gestão de seu antecessor, Joseph Blatter, que, apesar das crises de governança, não propôs um plano tão agressivo de mercantilização.

A declaração de Zuares sobre a necessidade de uma ‘visão adequada’ sugere que a insatisfação vai além do método, atingindo o rumo da entidade. Sob Infantino, a FIFA adota modelos de negócios agressivos, como o Mundial de Clubes expandido e parcerias com a Saudi Pro League, que geram receita, mas levantam questões éticas e de fair play financeiro. As federações menores sentem-se cada vez mais distantes das decisões cruciais.

Impacto para o futebol brasileiro e a corrida sucessória

A crise na FIFA afeta diretamente o futebol brasileiro. A CBF, sob Ednaldo Rodrigues, tem em Infantino um aliado para a Copa do Mundo Feminina de 2027 e a defesa de interesses comerciais do calendário nacional. Contudo, a instabilidade política pode atrasar decisões sobre Eliminatórias e distribuição de vagas em competições internacionais.

Clubes como Flamengo e Palmeiras, interessados em um Mundial de Clubes mais lucrativo, observam de perto a disputa. Se Infantino perder força, o projeto de expansão do torneio pode ser engavetado. Por outro lado, uma FIFA enfraquecida pode dar mais protagonismo à Conmebol, liderada por Alejandro Domínguez, beneficiando o futebol sul-americano em calendário e premiações.

A postura de Israel, com boas relações com a UEFA, pode influenciar Aleksander Ceferin a endurecer o tom contra Infantino. Uma aliança entre UEFA e federações dissidentes poderia forçar uma reforma na governança da FIFA, com um conselho mais independente e revisão do modelo de negócios. O torcedor brasileiro pode se beneficiar de um calendário mais racional e de uma distribuição de receitas mais justa, elevando o nível técnico dos clubes nacionais.

O movimento de Israel, seguido por federações da Ásia e África, indica que a reeleição de Infantino em 2027 não será fácil. Aos 55 anos, o dirigente suíço-italiano ainda é favorito, mas a erosão de seu apoio em blocos estratégicos, como o asiático – cortejado com a escolha da sede da Copa de 2034 na Arábia Saudita –, demonstra uma base de sustentação fragilizada. A demissão de Lamour pode ter sido o erro que uniu a oposição.

Nos próximos meses, nomes como o do ex-presidente da Federação Francesa, Noël Le Graët, ou o atual presidente da UEFA, Aleksander Ceferin, podem surgir como candidatos de consenso. A pressão por uma gestão mais transparente e descentralizadora deve pautar o debate. A FIFA, que enfrentou escândalos na era Blatter, precisa demonstrar aprendizado com o passado para evitar a ruína de sua credibilidade.

O tabuleiro político do futebol mundial está em movimento, e a jogada de Moshe Zuares pode ser o início de um xeque-mate. A capacidade de Infantino de reverter essa maré dependerá de sua habilidade em negociar com os dissidentes e de sua disposição em recuar no plano de venda dos direitos de transmissão. A teimosia de um presidente pode ser o estopim para a maior crise de governança da entidade desde a saída de Blatter.

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