quarta-feira, 16 de setembro
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Grupo de oficiais de futebol em traje formal reunidos em torno de uma mesa de conferência, discutindo um novo modelo de governança, com mapa-múndi e ícones de futebol ao fundo.
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Oposição a Infantino Desvela Novo Framework de Governança na FIFA

Gianni Infantino enfrenta a mais significativa dissidência de seu mandato na FIFA. A UEFA, a CONCACAF e a Confederação Asiática de Futebol (AFC) uniram esforços para conceber um novo modelo de governança para o futebol mundial. Essa iniciativa visa reformar o que as confederações descrevem como um sistema de apadrinhamento na FIFA desde que Infantino sucedeu Sepp Blatter. A mobilização ganhou força após a FIFA ignorar apelos por uma revisão independente, especialmente após a tentativa de vender 21% dos direitos da Copa do Mundo, uma ação revelada pelo The Guardian há duas semanas.

O plano de Infantino de abrir o capital do torneio mais lucrativo do mundo foi temporariamente arquivado diante da reação negativa generalizada, mas o impacto político já foi considerável. A aliança entre as três confederações, que representam a maioria dos países filiados à FIFA, sugere que a gestão do dirigente suíço, caracterizada por decisões centralizadas e pouca transparência, pode estar chegando ao fim. A questão que ressoa nos bastidores é como essa nova configuração de poder afetará o futebol brasileiro.

Para a Confederação Brasileira de Futebol (CBF) e clubes de ponta como Flamengo e Palmeiras, o desfecho dessa disputa transcende a política corporativa. A forma como a FIFA é administrada impacta diretamente o calendário internacional, a distribuição de receitas bilionárias de direitos de transmissão, os cofres das agremiações nacionais e a competitividade da Seleção Brasileira em Copas do Mundo.

Proposta de Substituição ao Modelo Infantino

A proposta em desenvolvimento pelas três confederações não é apenas uma declaração de intenções. Conforme apurado pelo The Guardian, o grupo está elaborando um framework abrangente destinado a substituir o atual conselho da FIFA por um sistema que promova maior equilíbrio de poder e, crucialmente, incorpore mecanismos de prestação de contas. O objetivo central é desmantelar a concentração de autoridade na figura do presidente, um processo que Infantino intensificou durante sua gestão.

Na perspectiva dos opositores, o modelo vigente transformou a FIFA em uma estrutura de patronagem, onde decisões estratégicas são tomadas sem consulta adequada às confederações. A tentativa de alienar participações na Copa do Mundo serviu como o ponto de ruptura, expondo a ausência de mecanismos de controle e contrapeso. A nova proposta de governança contempla, entre outras medidas, a criação de um comitê executivo com poderes de veto e a obrigatoriedade de auditorias independentes regulares, algo que a administração de Infantino tem evitado.

Para o futebol brasileiro, uma eventual mudança de paradigma na FIFA pode significar uma participação mais ativa nas decisões que moldam o cotidiano dos clubes. A CBF, historicamente hábil em navegar pelas estruturas de poder da entidade máxima, precisará reavaliar sua posição. A aliança entre UEFA, CONCACAF e AFC, caso se consolide, pode abrir espaço para que a América do Sul, sob a liderança de Ednaldo Rodrigues, tenha um papel mais proeminente nas discussões sobre o calendário global e a reconfiguração do Mundial de Clubes.

O Impacto da Luta pelo Poder na FIFA para Clubes e Seleção Brasileira

A disputa pelo controle da FIFA não é uma questão remota, limitada aos corredores de Zurique. Seus efeitos são tangíveis e imediatos para o torcedor brasileiro. O calendário sobrecarregado, que força clubes como Flamengo e Palmeiras a disputarem mais de 70 partidas anualmente, é uma consequência direta do modelo de negócios imposto por Infantino. Esse modelo prioriza a expansão de competições, como o novo Mundial de Clubes, em detrimento do bem-estar dos atletas.

Adicionalmente, a distribuição das receitas da Copa do Mundo de 2026, a ser realizada nos Estados Unidos, Canadá e México, é um ponto nevrálgico. Com a união da UEFA e da CONCACAF, a pressão por uma divisão mais equitativa dos recursos tende a aumentar. Para a CBF, que depende desses repasses para financiar categorias de base e a preparação da Seleção Brasileira, um novo acordo de governança pode resultar em um fluxo de caixa mais estável e menos sujeito a decisões políticas discricionárias de um presidente.

A inclusão da AFC na aliança é um trunfo estratégico. Com o peso de federações como a Arábia Saudita e o Catar, que investem pesadamente no futebol, o grupo ganha musculatura política para convocar uma assembleia extraordinária. A expectativa é que, nos próximos meses, um documento formal seja apresentado, detalhando regras claras de transição e um cronograma para a realização de eleições diretas com candidaturas independentes, um processo que não ocorre na FIFA desde a era Blatter.

O Futuro da Governança Global do Futebol

Os próximos meses serão cruciais para o futuro da governança do futebol. A aliança entre UEFA, CONCACAF e AFC não é um movimento espontâneo, mas uma resposta estratégica a uma década de centralização de poder. Há uma expectativa de que, diante da pressão pública e da ameaça de uma cisão, Infantino seja compelido a negociar reformas estruturais, mesmo que tente manter a influência no processo.

Para o futebol brasileiro, um cenário de transição gradual parece o mais provável. A CBF, que tradicionalmente detinha uma posição forte nas decisões da FIFA, precisará equilibrar sua lealdade histórica com a emergente realidade de um conselho mais fragmentado. A possibilidade de o Brasil sediar uma Copa do Mundo futuramente pode depender diretamente da consolidação dessa nova arquitetura de poder.

A era Infantino, marcada por um futebol globalizado e uma abordagem comercial agressiva, pode estar se encaminhando para um modelo mais colegiado, onde a influência das confederações regionais seja mais efetiva. Para o torcedor brasileiro, que acompanha a Seleção Brasileira e seus clubes em competições internacionais, a esperança reside em uma nova ordem que promova maior equilíbrio, transparência e, fundamentalmente, um calendário mais sustentável para os atletas.

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