Após o ciclo da Copa do Mundo de 2022, a FIFA projeta um faturamento sem precedentes para a edição de 2026, sediada por Estados Unidos, México e Canadá. A entidade prevê arrecadar US$ 11 bilhões, um aumento de quase 50% em relação aos US$ 7,5 bilhões do ciclo do Catar. Este salto financeiro, impulsionado pela expansão do torneio para 48 seleções, evidencia a crescente dimensão comercial do futebol de seleções.
O formato ampliado da Copa de 2026, com 16 seleções a mais em relação ao modelo anterior de 32 equipas, eleva o número de jogos para 104, expandindo a audiência global e, consequentemente, o valor dos contratos comerciais. A gestão de Gianni Infantino já assegurou acordos de patrocínio com parceiros como Coca-Cola, Adidas e Visa, além de renovar contratos de transmissão com gigantes da mídia como a Fox Sports (EUA) e a Globo (Brasil).
De onde virão os US$ 11 bilhões da Copa 2026
A principal fonte de receita projetada são os direitos de transmissão, que devem gerar cerca de US$ 4,5 bilhões. O fuso horário favorável aos mercados norte-americano e europeu, aliado ao maior número de partidas, garante horários nobres de transmissão em ambos os continentes. Um exemplo é o acordo da Fox Sports, que garantiu os direitos para os Mundiais de 2026 e 2030 nos Estados Unidos.
Em segundo lugar, os patrocínios e parcerias comerciais devem somar US$ 3 bilhões. A FIFA comercializou suas principais cotas globais e abriu espaço para patrocinadores regionais nos mercados-sede, otimizando a captação. A venda de ingressos e serviços de hospitalidade constitui o terceiro pilar, com expectativa de arrecadação de US$ 2 bilhões. Com 104 jogos programados e uma média de público projetada acima de 60 mil espectadores, especialmente nos estádios norte-americanos, o potencial é imenso.
Complementando o faturamento, a FIFA prevê US$ 1,5 bilhão em receitas de licenciamento e merchandising. A criação de uma plataforma digital unificada para a venda de produtos oficiais e o uso de novas tecnologias para engajar os adeptos são estratégias para maximizar esses ganhos. No entanto, o modelo apresenta riscos, como a inflação dos custos operacionais e a possível resistência de federações menores à concentração de poder financeiro.
O impacto do recorde no futebol brasileiro
O impacto financeiro para o Brasil é direto. A Seleção Brasileira, uma das principais atrações, disputará uma fatia da premiação total, projetada em cerca de US$ 800 milhões (contra US$ 440 milhões em 2022). O avanço em cada fase do torneio resultará em mais recursos para a confederação, o que pode auxiliar a CBF a investir no desenvolvimento do esporte, incluindo as categorias de base.
Adicionalmente, clubes brasileiros como Flamengo, Palmeiras e Corinthians podem se beneficiar indiretamente. O aumento da receita da FIFA traduz-se em maiores repasses para o programa FIFA Forward, que financia projetos de infraestrutura em federações-membro. O Brasil, um dos principais beneficiários históricos do programa, ganha novas oportunidades de investimento em estádios e centros de treinamento.
Por outro lado, a expansão do torneio intensifica o debate sobre o calendário. Com quase 40 dias de duração, a Copa de 2026 exigirá um desgaste ainda maior de atletas como Vinícius Júnior e Rodrygo. Isso pode gerar atritos com os clubes europeus, embora a FIFA planeje mitigar os impactos através da ampliação do Programa de Benefícios a Clubes, que compensa financeiramente as equipes pela cedência de jogadores.
O futuro financeiro: para além de 2026
As projeções da FIFA indicam um caminho de crescimento contínuo. A entidade já explora a viabilidade de novos formatos e torneios para o ciclo pós-2026, além de retomar discussões sobre uma liga mundial de seleções, visando transformar o futebol de seleções em um produto comercialmente ativo durante todo o ano.
No contexto brasileiro, a discussão sobre a governança da CBF e a profissionalização das federações ganha urgência. Em um cenário de monetização agressiva pela FIFA, as confederações nacionais precisam se modernizar para capitalizar as oportunidades e não ficar para trás. O futebol brasileiro, com sua imensa base de talentos e torcedores, tem potencial para prosperar nesta nova era, mas o sucesso dependerá de planejamento estratégico e transparência.