sexta-feira, 18 de setembro
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Um torcedor assistindo a uma partida de futebol na TV, com uma expressão de confusão e surpresa.
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Torcedor muda de opinião sobre novo formato da Copa do Mundo

Quando a FIFA anunciou que a Copa do Mundo de 2026, com sedes nos Estados Unidos, Canadá e México, expandiria para 48 seleções e adotaria um formato com grupos de três times, confesso que torci o nariz. Não fui o único a enxergar essa mudança como uma aberração técnica, um movimento impulsionado mais por interesses comerciais do que esportivos. As preocupações eram inúmeras e legítimas: a possibilidade de times se classificarem sem jogar a última rodada, o risco palpável de combinações de resultados – o temido “cartel” –, e a inevitável diluição da fase de grupos, que sempre foi o coração pulsante do torneio, um caldeirão de jogos imprevisíveis e decisivos. Onde estaria a emoção da terceira rodada, com seus duelos simultâneos e reviravoltas dramáticas, se um dos participantes já estivesse garantido ou eliminado?

A pureza da competição parecia estar em jogo. O aumento do número de seleções, de 32 para 48, também levantava a questão da qualidade técnica geral. Será que teríamos mais jogos unilaterais, placares elásticos e menos confrontos equilibrados? A fase de grupos, antes um funil rigoroso onde cada ponto era ouro, poderia se transformar em uma mera formalidade para os gigantes do futebol. Minha visão era clara: a FIFA estava apostando na quantidade em detrimento da qualidade e da integridade desportiva.

No entanto, o futebol tem uma maneira peculiar de nos fazer engolir previsões e revisitar convicções. Foi exatamente o que aconteceu depois de testemunhar a Copa do Mundo de 2022, no Catar. Com a Argentina de Lionel Messi e a França de Kylian Mbappé nos brindando com uma final histórica, a edição catariana reafirmou o poder inigualável do torneio em gerar momentos épicos. Mas não foi apenas a final que me fez repensar; foram as surpresas, as “zebras” que desafiaram a lógica e a beleza da imprevisibilidade que o Mundial nos oferece a cada quatro anos.

O que realmente me fez mudar de ideia foi justamente o que a Copa sempre proporcionou: momentos de pura imprevisibilidade e superação. Quem poderia prever a Arábia Saudita, liderada por Saleh Al-Shehri, vencendo a poderosa Argentina de Lionel Scaloni na estreia? Ou o Marrocos de Walid Regragui, com sua garra e talento, avançando até as semifinais, fazendo história como a primeira seleção africana a alcançar tal feito? Esses são os enredos que transcendem o jogo e se tornam lendas, capturando a imaginação de milhões ao redor do globo.

Se o novo formato, com suas 48 seleções, abrir ainda mais espaço para que essas “zebras” se multipliquem e para que jogadores de países com menor tradição no futebol, como o japonês Ritsu Doan ou o senegalês Sadio Mané, brilhem em palcos maiores e mais diversos, talvez o “preço a pagar” pelas imperfeições técnicas não seja tão alto assim. A chance de ver mais seleções realizando o sonho da Copa, mais culturas representadas e mais histórias de superação sendo escritas, tem um valor inestimável. A Copa do Mundo é, afinal, um evento global, e expandir sua inclusão pode ser visto como uma evolução natural, um espelho da diversidade que tanto celebramos.

Sim, os riscos de jogos combinados e a menor competitividade em alguns grupos ainda são preocupações válidas e precisarão de um monitoramento rigoroso por parte da FIFA. E sim, a fase de grupos tradicional, com quatro times e a emoção do “mata-mata” velado na última rodada, terá saudades. Mas, como torcedor, comecei a ponderar que a promessa de um espetáculo amplificado, com mais “Davids” enfrentando “Golias” e a possibilidade de novos heróis surgirem de onde menos se espera, pode compensar as perdas estruturais.

A pergunta que permanece, e que agora vejo sob uma nova ótica, é: o que estamos realmente dispostos a sacrificar em nome do espetáculo, da inclusão e da chance de viver o inacreditável? Para mim, a balança pendeu. Não de forma ingênua, mas com a convicção de que o futebol, em sua essência, prospera na emoção do inesperado. E se a Copa de 2026 nos entregar mais dessas emoções, mesmo que com um formato que ainda me causa estranheza, talvez valha a pena engolir o que antes parecia uma aberração e abraçar o novo capítulo da história do futebol.

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