quarta-feira, 16 de setembro
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Duas figuras de oficiais de futebol em uma reunião tensa sobre o planejamento da Copa do Mundo, em um ambiente corporativo.
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UEFA ameaça boicotar Copa 2030 após plano da FIFA

A guerra entre a UEFA e a FIFA escalou para um novo patamar. Após a proposta da FIFA, liderada por Gianni Infantino, de criar uma empresa privada para administrar suas principais competições — incluindo a Copa do Mundo de 2030 —, a UEFA reagiu com uma ameaça direta: boicotar o torneio. A informação foi publicada pelo jornal inglês The Times, que revelou que a entidade europeia já discute internamente a possibilidade de não inscrever suas seleções no Mundial que será sediado por Marrocos, Portugal e Espanha.

O plano da FIFA prevê a criação de uma holding que centralizaria a gestão de direitos comerciais e de transmissão da Copa do Mundo, da Copa do Mundo de Clubes e do novo Mundial de Seleções, previsto para 2025. Para a UEFA, isso representa uma perda de controle e de receita, já que as federações europeias são as maiores geradoras de dinheiro no futebol global. A reação foi imediata: a entidade presidida por Aleksander Ceferin estuda um boicote que, se concretizado, deixaria de fora da Copa de 2030 seleções como França, Alemanha, Inglaterra e Itália.

O movimento não é apenas político. A UEFA enxerga na proposta de Infantino uma tentativa de concentrar poder e recursos nas mãos da FIFA, reduzindo a influência das confederações continentais. A ameaça de boicote, embora extrema, é um sinal de que a entidade europeia está disposta a ir até as últimas consequências para defender seus interesses — e o calendário do futebol mundial pode nunca mais ser o mesmo.

O que está por trás da proposta da FIFA que irritou a UEFA

A ideia de criar uma empresa separada para gerir as competições da FIFA não é nova, mas ganhou força nos bastidores nos últimos meses. Segundo o The Times, a entidade máxima do futebol quer atrair investidores privados para injetar bilhões de dólares no negócio, algo que já acontece em outros esportes, como a Fórmula 1. A holding seria responsável por negociar contratos de transmissão, patrocínios e licenciamentos, com a FIFA mantendo o controle acionário.

Para a UEFA, o problema é que essa estrutura tiraria das federações nacionais e das confederações o poder de decisão sobre os torneios que elas mesmas ajudaram a construir. A Champions League, por exemplo, é gerida pela UEFA com ampla autonomia, e a entidade teme que a FIFA use a nova empresa para impor um calendário ainda mais inchado, com mais jogos e menos descanso para os atletas. A pressão sobre jogadores como Kylian Mbappé e Erling Haaland, que já atuam em um ritmo insustentável, seria o estopim para uma crise de imagem.

Além disso, a Copa do Mundo de 2030 tem um simbolismo especial: será a primeira edição com três países-sede e marcará o centenário do torneio, que começou no Uruguai em 1930. Um boicote da UEFA transformaria a celebração em um fiasco diplomático e esportivo, com a ausência de seleções que dominam o cenário mundial nas últimas décadas.

Por que um boicote europeu mudaria o futebol para sempre

Se a UEFA realmente cumprir a ameaça, o impacto será imediato e profundo para o futebol brasileiro e sul-americano. A Conmebol, que tem a Copa de 2030 como um marco para suas seleções — Argentina e Uruguai também sonham com o centenário —, ficaria isolada ao lado de África e Ásia. Sem as potências europeias, a audiência global do torneio despencaria, e os contratos de transmissão perderiam valor de mercado. Clubes como Flamengo e Palmeiras, que dependem de receitas de vendas de jogadores para a Europa, sentiriam o efeito cascata em suas finanças.

Para o torcedor brasileiro, a ausência de seleções como França e Alemanha tiraria o brilho de um Mundial que já nasce com a expectativa de ser histórico. A rivalidade entre Brasil e Argentina, por exemplo, perderia parte do contexto se os europeus não estivessem lá para desafiar o domínio sul-americano. A Copa de 2030, que deveria ser uma festa global, correria o risco de se tornar um torneio de segundo escalão.

Nos bastidores, a pressão sobre Gianni Infantino também aumentaria. O presidente da FIFA já enfrenta críticas por sua gestão centralizadora e por decisões polêmicas, como a escolha de sedes questionáveis e a expansão da Copa do Mundo para 48 seleções. Um boicote da UEFA seria a maior crise de credibilidade da entidade desde os escândalos de corrupção de 2015.

O que esperar dos próximos capítulos dessa guerra institucional

As negociações entre UEFA e FIFA devem se intensificar nos próximos meses, com reuniões fechadas em Zurique e Nyon. A tendência é que a UEFA tente construir uma aliança com a Conmebol e outras confederações para isolar a FIFA, mas a proposta de dividir os lucros da nova empresa pode seduzir federações menores, que veem na holding uma chance de aumentar suas receitas. O Brasil, por meio da CBF, terá um papel crucial nesse tabuleiro: apoiar a UEFA pode fortalecer a posição europeia, mas também pode custar caro em termos de influência junto à FIFA.

Enquanto isso, o calendário do futebol mundial segue sob pressão. A Copa do Mundo de Clubes de 2025, que já enfrenta resistência de ligas e sindicatos de jogadores, será o primeiro teste de fogo para o modelo de gestão proposto por Infantino. Se a UEFA boicotar também esse torneio, a FIFA terá que recuar ou enfrentar um racha sem precedentes no esporte mais popular do planeta.

O que está em jogo não é apenas a Copa de 2030, mas o futuro da governança do futebol. A briga entre UEFA e FIFA expõe as fragilidades de um sistema onde o dinheiro fala mais alto que a tradição — e o torcedor, mais uma vez, fica refém de interesses que pouco têm a ver com o que acontece dentro de campo.

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