quarta-feira, 16 de setembro
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Estádio de futebol com bandeiras de vários países e uma mesa de conferência com um mapa-múndi, simbolizando um debate global sobre direitos da Copa do Mundo.
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UEFA ameaça boicotar FIFA se World Cup forçar venda de direitos

Em uma reunião de emergência que durou menos de duas horas, a UEFA e suas 55 federações-membro cravaram uma posição que pode redefinir o futebol mundial: boicotar todas as competições da FIFA caso Gianni Infantino insista em vender cotas da Copa do Mundo para fundos de investimento dos Estados Unidos. A decisão, revelada pelo The Guardian, coloca a Seleção Brasileira e a CBF em uma encruzilhada diplomática e esportiva sem precedentes.

O plano de Infantino, que envolve a venda de direitos comerciais e de transmissão da Copa do Mundo para grupos ligados a Jared Kushner e Donald Trump, foi recebido com rejeição unânime pelos europeus. A ameaça de boicote começaria já no Mundial Sub-20 Feminino, mas o recado é claro: se a FIFA seguir com a proposta, a próxima Copa do Mundo masculina pode ficar sem França, Alemanha, Inglaterra e outras potências.

Para o Brasil, que respira futebol e depende da vitrine global da Copa para projetar talentos e gerar receita, o cenário é alarmante. A CBF, presidida por Ednaldo Rodrigues, terá que escolher entre apoiar a posição europeia ou alinhar-se a Infantino, que já conta com o apoio de federações sul-americanas menores e de países asiáticos.

O que está em jogo na proposta de venda da Copa do Mundo

O modelo defendido por Gianni Infantino prevê a criação de uma nova entidade comercial, sediada nos EUA, que compraria os direitos de exploração da Copa do Mundo por um período de 20 a 30 anos. Na prática, a FIFA deixaria de controlar diretamente seu principal ativo e passaria a receber um cheque anual fixo, enquanto investidores privados — com forte influência política americana — decidiram sobre calendário, formato e até países-sede.

Para a UEFA, isso representa a perda do controle democrático sobre o futebol. A entidade europeia argumenta que a medida transformaria a Copa em um produto de entretenimento voltado ao mercado norte-americano, ignorando as necessidades de federações nacionais, clubes e jogadores. A rejeição foi tão forte que, segundo o The Guardian, nem mesmo as federações mais alinhadas a Infantino, como a Rússia, ousaram defender abertamente o plano na reunião.

O boicote europeu, se concretizado, seria o maior racha na história da FIFA. A última vez que algo similar ocorreu foi nos anos 1970, quando a UEFA ameaçou não participar da Copa de 1974 por questões políticas. Desta vez, o motivo é econômico e estrutural: os europeus não aceitam que o futebol seja tratado como commodity de fundos de private equity.

Por que isso importa para a Seleção Brasileira e a CBF

O Brasil é o maior vencedor de Copas do Mundo e um dos poucos países que consegue manter relevância global sem depender exclusivamente da Europa. No entanto, a CBF depende financeiramente da participação em torneios da FIFA — as premiações da Copa do Mundo e os repasses da entidade são fontes importantes de receita para federações estaduais e clubes.

Se a UEFA realmente boicotar a próxima Copa, a competição perderia seu principal atrativo comercial e esportivo. Uma Copa sem Inglaterra, Espanha, França e Alemanha teria audiência e valor de mercado drasticamente reduzidos. Para a Seleção Brasileira, que enfrentaria adversários de nível técnico inferior, o torneio perderia o brilho e a credibilidade histórica.

Além disso, a CBF teria que lidar com pressões internas. Clubes brasileiros, como Flamengo e Palmeiras, que negociam jogadores com o mercado europeu, veriam seus ativos desvalorizados sem a vitrine da Copa. Jogadores como Vinícius Júnior e Rodrygo, que construíram suas carreiras na Europa, poderiam ter menos oportunidades de brilhar em um torneio esvaziado.

Outro ponto crítico é o calendário. A proposta de Infantino inclui a realização de uma Copa do Mundo a cada dois anos, algo que a UEFA rejeita veementemente. Para o Brasil, que já sofre com um calendário inchado entre estaduais, Brasileirão, Copa do Brasil e Libertadores, mais uma competição internacional seria um pesadelo logístico e físico para os atletas.

O que esperar dos próximos meses no tabuleiro geopolítico do futebol

A reunião da UEFA foi apenas o primeiro movimento de uma partida que promete se arrastar até o Congresso da FIFA, marcado para o final de 2026. Infantino deve tentar costurar acordos bilaterais com federações africanas e asiáticas, que historicamente apoiam suas gestões em troca de investimentos e promessas de desenvolvimento.

No entanto, a pressão política é imensa. Governos europeus, como o do Reino Unido e da França, já sinalizaram que podem usar leis locais para impedir que seleções nacionais participem de torneios organizados por uma FIFA que consideram capturada por interesses privados. A ameaça de boicote, portanto, não é apenas esportiva — é também jurídica e diplomática.

Para o torcedor brasileiro, o cenário é de incerteza. A Copa do Mundo de 2026, que será sediada por Estados Unidos, Canadá e México, já enfrenta críticas por seu formato inchado e pela distância geográfica. Agora, a possibilidade de um boicote europeu coloca em xeque a própria essência do torneio. A CBF terá que decidir se prefere manter o vínculo histórico com a Europa ou arriscar um alinhamento com a visão comercial de Infantino. O futebol brasileiro, mais uma vez, será peça central em uma disputa que vai muito além das quatro linhas.

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